Universidade de Coimbra cria Observatório único de interacções entre plantas e medicamentos
07/04/2011
É o primeiro centro mundial dedicado ao estudo e recolha
de informação sobre as interações entre plantas e medicamentos e foi
agora criado na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (UC).
Foto: Universidade de Coimbra
O objetivo é substituir o suposto conhecimento popular pela informação científica, para desta forma modificar comportamentos e evitar danos para a saúde
O objetivo é substituir o suposto conhecimento popular pela informação científica, para desta forma modificar comportamentos e evitar danos para a saúde, como explica Maria da Graça Campos, coordenadora do Observatório de Interações Planta-Medicamento: «Já são do senso comum os cuidados a ter com a interação de medicamentos com o álcool, por exemplo, mas o mesmo não se verifica com os denominados produtos naturais, incluindo plantas medicinais que também podem estar sob a forma de chás ou contidas em cremes».
De acordo com a também investigadora do Centro de Estudos Farmacêuticos da UC, em estudo estarão casos como a interação com a varfarina, um fármaco do grupo dos anticoagulantes, usado na prevenção das tromboses, e antes como veneno para roedores por causar hemorragias, cuja utilização não deve ser feita simultaneamente com o consumo de alho, cebola ou soja, entre muitos outros produtos naturais com o mesmo efeito. Substâncias como suplementos vitamínicos e produtos para emagrecer serão também objeto de estudo.
Uma vez que o índice de toxicidade é o maior perigo quando se conjugam plantas com medicamentos, a atividade do Observatório começará pelo levantamento das plantas mais utilizadas pela população portuguesa e posterior cruzamento com dados sobre as diferentes patologias que podem estar associadas ao seu consumo. «Queremos fazer uma espécie de atlas com toda essa informação e depois divulgá-lo para a sociedade, tanto para os profissionais de saúde como para a população em geral», adianta Maria da Graça Campos. O projeto “Aprender Saúde: entre as Plantas e os Medicamentos”, recentemente aprovado pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica - Ciência Viva será uma peça fundamental neste contexto.
A investigadora revela ainda que será criada uma linha verde para que qualquer pessoa possa reportar eventuais efeitos de interações. «Desta forma, além de produzirmos novo conhecimento, poderemos também dirigir a investigação através destes testemunhos», conclui.
O Observatório de Interacções Planta-Medicamento junta cerca de 20 investigadores de diversas áreas do conhecimento como a Farmácia, Medicina, Medicina Legal e Direito. Apesar de, numa fase inicial, vir a centrar a sua atividade no estudo da realidade portuguesa, prevê-se o seu alargamento a outros países. A sua ação deverá revelar-se um contributo decisivo para a criação de uma estratégia nacional e internacional que permita uma avaliação de risco deste tipo de interações, com evidentes benefícios a nível da saúde e uma redução de despesas inerentes aos possíveis acidentes causados.