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Entrevista

"Ser cidadão hoje significa estar atento aos grandes problemas do mundo e aos pequenos problemas do quotidiano e dar o nosso contributo", diz António Covas

           Autor: Camila Siqueira

António Covas

António Manuel Alhinho Covas é doutorado em Assuntos Europeus pela Universidade de Bruxelas e é desde 2000 professor catedrático da Universidade do Algarve. Foi Pró-Reitor e Vice-Reitor da Universidade de Évora e Assessor ministerial. Actualmente, a sua investigação centra-se na construção social de territórios-rede e na concepção e implementação de redes colaborativas

  • O que significa ser cidadão hoje?

Ser cidadão hoje significa estar atento aos grandes problemas do mundo e aos pequenos problemas do quotidiano e dar o nosso contributo, à nossa medida, para a sua resolução, sobretudo, dos problemas quotidianos do nosso concidadão.

 

  • Quais os direitos e obrigações do cidadão hoje?

Os direitos humanos, políticos, sociais e culturais são fundamentais porque integram o ADN da nossa constituição como pessoa humana e definem o que de melhor podemos obter do espaço público. A qualidade do espaço público é o local onde se encontram os direitos e obrigações do cidadão de hoje. As obrigações são o respeito e a boa educação que devemos para com os nossos semelhantes, sobretudo para com os mais frágeis. A qualidade da cidadania mede-se pela forma como tratamos os cidadãos mais vulneráveis.

 

  • O papel do governo, sociedade civil e universidades?

O papel da sociedade civil e destas instituições é, antes de mais, o de serem modestas e respeitarem os direitos das pessoas; em seguida, é o de melhorarem a qualidade do espaço público propondo iniciativas que melhorem efectivamente a qualidade de vida das pessoas, sobretudo as mais vulneráveis. As formações associativas e cooperativas podem ajudar a sociedade civil nesse desiderato. As universidades devem abrir totalmente as suas portas e deixar entrar o ar puro da liberdade e do serviço público.

 

  • O essencial para uma cidadania exemplar?

O essencial para uma cidadania exemplar é, acima de tudo, o respeito pela fragilidade da pessoa humana e o cuidado e a prioridade que atribuímos aos mais vulneráveis. A sociedade exemplar será sempre aquela que trata os mais desfavorecidos com inteira dignidade e respeito independentemente da sua condição seja ela qual for.

 

  • Exemplos de uma sociedade ideal?

Infelizmente, não há exemplos de sociedades ideais, mas respeito muito todas as sociedades que não “institucionalizam” os seus cidadãos, isto é, cuja sociedade civil se auto-organiza para tomar em suas próprias mão o cuidado pelo seu familiar, vizinho ou semelhante. A sociedade ideal será aquela em que os mais idosos e os mais vulneráveis são os únicos cidadãos privilegiados.

Mais sobre António Covas: 

Tem 12 livros publicados na área dos Estudos Europeus e 12 livros publicados na área dos Estudos Rurais e Territoriais, para além de inúmeros artigos. Foi ainda Conselheiro Nacional de Educação e Vogal da Unidade de Gestão do Programa Operacional do Algarve entre 2008-2014. 

 


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Camila Siqueira Menéndez

Camila Siqueira

Comunicadora en formación constante

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