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Uma portuguesa na Dinamarca, um testemunho na primeira pessoa

      
Uma portuguesa na Dinamarca, um testemunho na primeira pessoa
Uma portuguesa na Dinamarca, um testemunho na primeira pessoa  |  Fonte: Sara Nunes

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Sara Nunes partilha connosco o seu testemunho sobre a sua decisão e experiência pessoal e profissional na Dinamarca.

Sobre mim:

Eu chamo-me Sara Nunes, tenho 20 anos, sou portuguesa e estou, neste momento, a estudar na Dinamarca, na cidade de Horsens.

As dificuldades que os jovens sentem em Portugal, tais como os obstáculos que encontram para entrar no mercado de trabalho, as condições precárias e os ordenados baixos, fizeram com que tomasse a mais difícil decisão da minha vida até então: deixar o meu país e a minha família.

Decidi procurar um país que me acolhesse e me oferecesse as oportunidades que Portugal não me ofereceu e, depois de alguma pesquisa, a Dinamarca chamou por mim. Escolhi a Dinamarca porque, para além da universidade ser gratuita, ainda nos pagam para estudar. Na prática, não faltam incentivos para quem quer prosseguir aqui os seus estudos. Incentivos de vária ordem, nomeadamente através de subsídios, o que ajuda a colmatar uma série de despesas e tornam mais fácil a adaptação a uma realidade completamente nova, sobretudo para os estudantes que, tal como eu, são originários de outros países.

Depois de me ter candidatado à universidade e de ter sido aceite, parti para Horsens. Fui muito bem recebida pelos meus colegas, professores e restante staff da universidade, e a verdadeira aventura começou. O curso é realmente espetacular e estou agora no meu 2º ano de universidade.

O que eu estudo e porque escolhi este curso:

Eu estou a estudar Engenharia Informática na VIA University. Atualmente, eu estou no ano de formatura e espero terminar o curso em janeiro de 2019, depois dum estágio profissional e uma tese, ambos obrigatórios.

Eu escolhi este curso quando tive algum contacto com web design e design gráfico através duns amigos. Antes de fazer esta escolha, quis garantir que este curso era o mais indicado para mim, e então tirei um curso de programação online em C#. E sem muito espanto, adorei criar programas e trabalhar no computador. Para além disso, a elevada taxa de empregabilidade do curso foi algo que me atraiu. O sistema de ensino dinamarquês é muito diferente do de Portugal. Em vez de basearem os cursos em muita teoria, eles focam-se em projetos de situações reais que se possam encontrar no mundo do trabalho, seminários da industria e muito mais foco no seu desenvolvimento pessoal. Eles não nos tratam como um número, mas como uma pessoa com potencial. Há também uma relação muito pessoal entre alunos e professores, comunicamos muito informalmente e eles deixam-nos a vontade para falar com eles seja do que for. Penso que o sistema de ensino de aqui é muito eficaz. Não será certamente por acaso que a Dinamarca tem o terceiro melhor ensino do mundo.

Como lidar com o choque cultural, saudades de casa e estar fora da zona de conforto?
No inicio, tive imensas saudades de casa. Principalmente o primeiro semestre não foi nada fácil. Mas este sentimento passou com o tempo. Eu reconstruí o meu grupo de amigos aqui, convivo muito com portugueses e vejo os meus pais e familiares cerca de três em três meses. A Dinamarca não é no fim do mundo, e uma deslocação a Portugal é uma viajem relativamente curta e, optando pelo avião, é incrivelmente barata. Felizmente, temos uma série de companhias aéreas a operar no regime low cost, o que faz com que viajar seja mais fácil do que nunca e, sobretudo, muito barato.

Há variadas e grandes diferenças culturais entre a Dinamarca e Portugal. Os dinamarqueses fazem uma enorme distinção entre o trabalho e a vida pessoal. Atribuem grande importância ao espaço pessoal, à família e a regras. O trabalho é algo que levam muito a sério, mas, ao contrário do acontece em países como Portugal, existem limites. Por exemplo, as lojas, as empresas e a maior parte dos serviços, por norma, encerram às 17:00 em ponto, o que permite que as pessoas possam ter bastante tempo livre e desfrutar desse mesmo tempo para as mais variadas atividades e fomentar as relações pessoais e familiares, ou seja, investir no seu próprio bem-estar e no dos que os rodeiam. Outra diferença é a pontualidade. Nós, portugueses, não damos assim tanta importância ao tempo, e por vezes atrasamo-nos muito, segundo os padrões dinamarqueses. Chegar atrasada a compromissos ou encontros, qualquer que fosse a sua natureza, foram hábitos que tive de perder totalmente, já que era algo que não era nada bem tolerado por estes lados. Outro apontamento positivo e, simultaneamente, curioso, está relacionado com o facto da Dinamarca ter uma população relativamente pequena para o tamanho do seu território. Por esta razão, sobretudo fora de Copenhaga, a capital, sente-se e vive-se um ambiente muito pacífico e uma incrível sensação de espaço e liberdade.

(A praça da cidade de Horsens, a cidade onde vivo, com cerca de 55 mil habitantes)

Os meus planos para quando de terminar os estudos:

Costuma-se dizer que contra factos não há argumentos, e eu, é verdade, sinto-me muito bem na Dinamarca. Penso que à medida que for dominando o idioma e conseguir falar fluentemente (penso que ainda vai demorar!) irei, com certeza, sentir-me cada vez mais integrada. Acredito, a sério, que os dinamarqueses são pessoas muito simpáticas, educadas e não tão frias como por vezes se afirma, principalmente quando os conhecemos. Ficar a viver e a trabalhar, no futuro, na Dinamarca é uma possibilidade que não descarto de todo. A isto não será alheio, sem dúvida nenhuma, o trabalho que acumulo, neste momento, em simultâneo com o meu curso. Estou a trabalhar numa empresa internacional, a Trendhim. Esta empresa, pela forma como trata os seus funcionários e pelas condições que lhes oferece, deu-me a oportunidade de me desenvolver como pessoa e aprender e ganhar experiência sobre áreas profissionais e temáticas não abrangidas pelo meu curso. Aprendi muito desde que comecei a trabalhar e apenas posso dizer que me sinto grata. Sinto-me grata porque esta foi uma excelente oportunidade que surgiu na minha vida, e porque também sei que me irá ajudar a encarar o futuro com mais confiança e bem melhor preparada para o mundo do trabalho. Por fim, resta acrescentar que o melhor de tudo é que trabalho na minha língua, uma vez sou responsável pelo departamento português da empresa.

Claro que nos próximos anos me vejo formada, a trabalhar e a comprar uma casa linda e a criar uma família. Não sei onde é que o meu curso e o trabalho me irá levar, por isso é muito difícil dizer se vou ficar na Dinamarca, ou não, apesar dos benefícios óbvios que este país oferece a quem decide aqui viver, trabalhar ou estudar. Para já, esta é uma questão que neste momento não considero importante nem prioritária. Quem sabe se não irei ficar colocada em Portugal e, então, resolva voltar às origens, algo que me agradaria bastante, confesso. Em resumo, o importante não é onde estamos, mas sim se somos felizes e se estamos a aproveitar todo o nosso potencial nesse sitio, ou não.

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