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Conhece os principais sintomas de burnout?

      
Conhece os principais sintomas de burnout?
Conhece os principais sintomas de burnout?  |  Fonte: Fotolia

Segundo a Universidade do Minho num estudo publicado em 2016, 62% dos professores portuguesas apresentam sintomas de burnout. Mas sabe do que estamos a falar quando aplicamos o termo burnout?

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O termo foi aplicado pela primeira vez em 1974 pelo psicoterapeuta norte-americano Herbert Freudenberger que constatou que alguns dos seus colaboradores apresentavam, após um ano de atividade, desmotivação, queixas somáticas (como dores nas costas, problemas gastrointestinais, dores de cabeça) e mudanças de humor (irritabilidade, cólera, disforia). Tinham-se tornado intolerantes ao stresse e eram incapazes de gerir novas situações. Até ao momento surgiram já diferentes definições para esta síndrome e atualmente, a generalidade dos autores considera-a uma resposta complexa ao stresse profissional prolongado ou crónico.

Termo burnout surge pela primeira vez em 1974

Segundo um estudo a nível nacional, publicado na Acta Médica Portuguesa em 2016, em 1728 pessoas (466 médicos e 1262 enfermeiros), 21,6% apresentavam burnout moderado e 47,8% burnout elevado. Entre todos os fatores estudados, as más condições de trabalho eram o maior preditor de burnout. Também se prevê uma elevada incidência desta síndrome em polícias e nos profissionais da área da Educação (sobretudo em docentes de instituições e de turmas com elevada indisciplina), refere José Fernando Santos Almeida, psiquiatra no Hospital Lusíadas Porto.

Médicos, enfermeiros , polícias e profissionais na área da educação estão mais suscetíveis a sofrer da doença

E se numa fase inicial se pensava que entre os profissionais que têm um envolvimento mais direto e intenso (como na área da saúde ou as forças policiais) haveria maior suscetibilidade para desenvolver burnout, atualmente esta perspetiva foi já alargada para todas as atividades.

Qualquer trabalhador pode sofrer de burnout 
Mas afinal, quais são os sintomas de burnout?

Segundo o Hospital dos Lusíadas o doente pode sofrer um conjunto muito amplo de sintomas, nomeadamente:

  1. Afetivos: Sentimentos como tristeza, irritabilidade, perda de controlo emocional, desânimo, apatia, humilhação, revolta, mágoa, fúria, preocupação.
  2. Cognitivos: ter dificuldades frequentes de atenção e de concentração, dificuldades de memória, diminuição da autoconfiança, do autoconceito, da autoestima e da autoimagem.
  3. Físicos: sintomas psicossomáticos (como falta de ar, coração acelerado, sintomas gastrointestinais, problemas cutâneos, queixas musculares), fadiga, hipertensão arterial, entre outros.
  4. Alterações comportamentais: podem ser múltiplas e traduzir-se em comportamentos tão diversificados como um ligeiro aumento da rispidez até um comportamento marcadamente agressivo, ou distanciamento relativamente ao outro e isolamento social, consumo de substâncias (desde logo o álcool), comportamento de jogo, propensão para ter acidentes, etc.
  5. Atitude em relação ao trabalho: são mais frequentes as atitudes e os comportamentos negativos relativamente ao trabalho, com desmotivação e, consequente menor entusiasmo, empenho e eficácia profissionais.
Quais as principais causas para o burnout?

O burnout pode ocorrer porque há uma maior competitividade no local de trabalho, uma pressão inadequada (desajuste nas funções atribuídas, sobrecarga de tarefas, alterações no horário de trabalho) ou porque a atividade exercida é muito intensa, sujeita a riscos, explica o psiquiatra José Fernando Santos Almeida.

As causas do burnout podem dividir-se nas seguintes fontes:

  1. Fontes de stresse habituais da atividade profissional
  2. Fontes de stresse típicas da atividade profissional e que abranjam áreas de conflito: competência(s), autonomia, relação com os clientes, realização pessoal, falta de apoio social de colegas e superiores.
  3. Fatores organizacionais como por exemplo, a elevada sobrecarga de trabalho, o desajustamento entre os objetivos da instituição e os valores pessoais dos profissionais, o isolamento social no trabalho. E ainda de fatores de ordem pessoal, entre os quais estão as relações familiares e as amizades.

O burnout tem tratamento?

A melhoria das circunstâncias e das condições que originaram o burnout é fundamental para o tratamento, destacando-se ainda a melhoria das condições de trabalho e das relações profissionais com diminuição do isolamento. Por vezes pode implicar também um afastamento temporário do local de trabalho, a reorganização das suas atividades, um adequado investimento em outros interesses, como um maior convívio com família e amigos, a prática de exercício físico ou de atividades relaxantes.

Pode ainda ser necessária ajuda médica, nomeadamente, quando a pessoa tem sintomas como a depressão, a ansiedade e que justificam farmacoterapia. A psicoterapia pode ajudá-la a compreender melhor as razões que o levaram a padecer de burnout e a evitar procedimentos semelhantes no futuro.

O burnout é causado por uma exaustão ou stresse profissional e, uma vez retirada dessa situação, a pessoa melhora significativamente e recupera. Mas pode ser acompanhado de uma depressão e, nesta circunstância, é mais provável que a pessoa continue a estar depressiva (com humor triste, baixa da autoestima, apatia, falta de prazer e/ou desinteresse por atividades que eram agradáveis, sem energia, apetite, cansaço) apesar de já não vivenciar essa experiência que a levou ao burnout.



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