Édipo chega à Companhia do Chapitô
12/01/2012
Dia 19 de Janeiro a Companhia do Chapitô estreia Édipo, a sua 31.ª criação, baseada no mítico Rei de Tebas que, ao cumprir a profecia em que assassina o seu pai e casa com a mãe, faz com que a tragédia se abata sobre a sua cidade e família
Esta Companhia, única no trabalho de teatro físico que desenvolve sobre o corpo, apresenta a revisitação de um clássico à luz dos tempos modernos, desta vez com um registo cómico. Uma comédia visual, segundo define o encenador John Mowat.
Édipo é um ponto de partida, não um ponto de chegada. Porquê este clássico? A resposta a esta questão é difícil de articular, a sua experiência de criação é intuitiva, mas a equipa é peremptória em justificar-se com o poder das imagens que este texto lhes sugere. O Édipo chapitoneano tem várias caras, vários corpos, informação que já lhes está impressa no corpo. Esticaram a tragédia para o absurdo... soltou-se uma válvula de ar... e o mito ficou virado do avesso.
Sinopse:
O Édipo de Sófocles é herói trágico, é paradigma, é complexo, é impulso, é cólera, é fatalidade, é logos, pathos, ethos, hybris, miasma, eros, thanatos, e mais uma grande quantidade de ‘is’, ‘eisis , ‘thos’ e ‘thas’.
O Édipo da Companhia do Chapitô é azarado, é desajeitado, é escorraçado, é assediado, é vilipendiado, é enxovalhado, é aleijado, e mais uma grande quantidade de ‘pum!’, ‘au! ‘trunge!’ ‘fssst!’ ,‘Ai!’
A Companhia do Chapitô gestualiza mais uma tragédia grega apresentando a cómica fuga de Édipo ao seu destino terrível. O que é certo é que de gatas, de pé, de bengala, a rastejar, ao colo ou às cavalitas, Édipo não pode escapar.