Friday :: 25 / 07 / 2014

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Noticia : Segurança online

Não há uma solução universal para a segurança online das crianças europeias

A Comissão Europeia reúne‐se com os stakeholders em toda a Europa para discutir como criar uma melhor experiência da Internet para as crianças. Num novo relatório que olha para as diferenças nacionais, os investigadores do projecto EU Kids Online publicaram recomendações específicas para Portugal no sentido de reforçar a capacidade de crianças e adultos para a experiência da Internet, quer através da inclusão em currículo escolar, quer da preparação de pais, professores e técnicos em locais de acesso público


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Não há uma solução universal para a segurança online das crianças europeias. Foto: stock.xchng

13% das crianças e jovens portugueses viram imagens de cariz sexual online, e 3% do total das crianças diz?se incomodado pela experiência

Segurança na Internet nos currículos

O relatório revela como as crianças em Portugal são líderes europeias no acesso à Internet através de computadores portáteis (65% dos participantes) e como os mais velhos demonstram um dos maiores níveis de uso excessivo dessa ferramenta (49% dos jovens entre os 11 e os 16 anos). Estes dados têm implicações directas para as políticas.

Cristina Ponte, coordenadora nacional do EU Kids Online e docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, explica: “O baixo nível de exposição ao risco (7%) por parte das crianças e jovens portugueses pode demonstrar que o nível de uso é ainda relativamente baixo face a outros países europeus, e pode haver também um fraco aproveitamento das oportunidades. Incluir a segurança na Internet nos currículos, desde cedo, pode ser uma forma de contrariar a maior incidência de dano entre crianças e jovens de meios desfavorecidos, bem como de maximizar o aproveitamento de oportunidades de criação, expressão e contacto na Internet”.

Portugal: baixo uso, algum risco

Portugal tem um reduzido nível de uso da Internet pelas crianças e jovens, demonstrando um dos mais baixos níveis de actividades online entre os inquiridos europeu. Desta forma, o facto de apenas 7% ter estado exposto a pelo menos um dos riscos sobre que incidiu o inquérito (contacto com imagens pornográficas, sexting, bullying, contacto com desconhecidos, conteúdos potencialmente perigosos gerados por utilizadores e abuso de informação pessoal) pode traduzir um baixo uso da internet.

Comentando os resultados, Leslie Haddon, da equipa coordenadora do projecto EU Kids Online na London School of Economics, no Reino Unido, afirma: "Pela primeira vez, apresentamos resultados de 33 países europeus, o que permite comparações directa das experiências das crianças que usam a Internet em diferentes países. Estas  diferenças nacionais demonstram que não há uma solução única e universal".

Os resultados específicos em Portugal apontam para uma necessidade de eliminar diferenças entre as crianças de estatutos sócio‐económicos diferentes, nomeadamente através da educação, com a inclusão da segurança na Internet nos currículos escolares e de um reforço da capacidade da escola para apoiar os pais na formação para a segurança ou reacção a incidentes na experiência online.

Outros resultados

• Apesar de usarem menos a Internet, as crianças mais novas, raparigas e de famílias desfavorecidas parecem sentir‐se mais incomodadas pelos riscos que encontram.

• 13% das crianças e jovens portugueses viram imagens de cariz sexual online, e 3% do total das crianças diz‐se incomodado pela experiência. São os mais velhos e os rapazes que já tiveram mais esta experiência, mas são as raparigas, os jovens de 11‐12 anos e as crianças de meios menos favorecidos que tendem a ficar mais incomodadas. Em relação a mensagens de cariz sexual, 15% dos adolescentes entre os 11 e 16 anos dizem que já receberam, enquanto 3% admite ter enviado mensagens desse tipo.

• Só 2% das crianças portuguesas dizem ter sofrido bullying online, ao passo que 9% dizem ter sido vítima de bullying offline, o que segue o padrão europeu, mas com
percentagens significativamente mais baixas. Em relação a encontrarem‐se com pessoas conhecidas através da Internet, 16% das crianças reportaram esta experiência,
a maioria das quais apenas uma vez; 2% do total das crianças inquiridas dizem ter‐se sentido incomodadas pela experiência.

• A tendência para que os rapazes sejam mais expostos a riscos é invertida no caso de conteúdo potencialmente danoso gerado por utilizadores e abuso de informação
pessoal. Aqui, são as raparigas que representam mais casos de exposição aos riscos: 15% experienciaram o primeiro, 6% o segundo.

• Os pais portugueses estão entre aqueles que, na Europ,a menos usam a Internet: 78% das crianças portuguesas entre os 9 e os 16 anos já a usavam em 2010, ao passo que
apenas 66% dos pais o fazia. Mais ainda, só um terço dos pais usa a Internet frequentemente o que, em ligação com o facto de as crianças e jovens usaram a
Internet predominantemente nos quartos, explica a proporção baixa, em relação à média europeia, de pais portugueses que usam a Internet com os filhos (43%).

Informação sobre o projecto e o inquérito:


• O Projecto EU Kids Online pretende aumentar o conhecimento das experiências e práticas das crianças e pais europeus no que toca ao risco e à utilização segura da Internet e das novas tecnologias online e, assim, ajudar a contextualizar a promoção de um ambiente online mais seguro para as crianças. O projecto é financiado pelo Programa EC Safer Internet (SI‐2010‐TN‐4201001).

• O EU Kids Online levou a cabo um questionário por entrevista face‐a‐face, em casa, a 25 mil utilizadores da Internet entre os 9 e os 16 anos e aos seus pais, em 25 países, utilizando uma amostra aleatória estratificada e método de autopreenchimento para perguntas mais sensíveis.

• Os países incluídos no questionário são: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Turquia e o Reino Unido. Para além destes países, o projecto inclui equipas de investigação da Croácia, Islândia, Letónia, Luxemburgo, Malta, Rússia, Eslováquia e Suíça.

• Em Portugal, o projecto conta com uma equipa coordenada pela Professora Cristina Ponte, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL).

• O projecto EU Kids Online apresentará estes resultados no Safer Internet Forum. Este é organizado pelo Safer Internet Programme como uma conferência anual sobre questões da Internet desde 2004. Junta representantes da indústria, autoridades, organizações de bem‐estar das crianças e legisladores. As edições anteriores do Safer Internet Forum têm tido convidados não só da Europa, mas também de países como Austrália, Brasil ou Rússia.


Para mais informações:

O relatório National Perspectives demonstra as experiências relativas das crianças numa série de indicadores nos países participantes no EU Kids Online. Investigadores, stakeholders e outros agentes podem encontrar um sumário conciso das experiências de uso, risco e dano na Internet pelas crianças e as abordagens dos pais à mediação. O relatório é baseado em entrevistas a 25 000 crianças e pais em 25 estados europeus (1000 crianças e um dos seus país em cada país) realizadas em 2010.

Para aceder ao relatório National Perspectives, consulte o website do projecto EU Kids Online:






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