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Capacitação dos professores é determinante para garantir a paridade de género na educação

      
Fonte: Shutterstock
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O Relatório de Monitorização Global de Educação para Todos 2015, documento formulado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que foi veiculado esta quarta-feira (8), apresentou informações importantes em relação ao progresso global em direção à paridade e a igualdade de género na educação primária e secundária.

 

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Os dados representam os resultados das medidas implementadas após o Fórum Mundial de Dakar, no Senegal, que teve lugarno ano 2000. Na época, 164 nações de todo o planeta firmaram o compromisso de se dedicarem a seis metas para melhorar a educação em níveis internacionais, conhecido como Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos: Cumprindo os nossos Compromissos Coletivos.


Uma destas ambiciosas intenções era “eliminar as disparidades de género na educação primária e secundária até 2005 e alcançar a igualdade de género na educação até 2015, com foco em garantir o acesso completo e equitativo de meninas a uma educação básica de boa qualidade”.


Embora a paridade de género, ou seja, a representação igualitária de alunos e alunas nas escolas não tenha sido atingida por todos, na educação primária, 104 países chegaram a esse nível no ano de 2012, frente a apenas 83 em 1999. Outro dado positivo para as mulheres é que em 1999 havia 73 países nos quais a disparidade era desfavorável para as meninas; em 2012, eram 48.


No entanto, as questões financeiras também influenciam nesse contexto aumentando a disparidade, especialmente na educação primária. Em geral, entre as crianças que não estão matriculadas, 43% jamais irão à escola. Desse total, 48% são meninas frente a 38% dos meninos.


Em relação à educação secundária (o equivalente ao Ensino Fundamental II e Ensino Médio), estima-se que apenas 48% das nações cumprirão a meta em 2015, porém, existem sucessos para serem levados em conta. Em 1999, 30 países tinham menos de 90 alunas para cada 100 alunos nas escolas de ensino secundário, número que caiu para 19. Outra boa notícia é o facto de que, em 2010 a média de mulheres que completavam o ensino primário foi de 93 para cada 100 do sexo masculino, uma melhoria evidente frente às 81 meninas que o faziam no ano 2000.


No que se refere à igualdade de géneros na educação – a garantia de uma experiência educacional de qualidade para mulheres e homens - há desafios ainda maiores pela frente. Entre os fatores que mais atrapalham o acesso do sexo feminino à educação estão a falta de estrutura (especialmente de saneamento) nas escolas, a distância entre as instituições de ensino e as casas dos alunos, custos e casamentos precoces. Sobre este último item, os dados mostram que entre os anos de 2000 e 2011, “30% ou mais das mulheres de 20 até 24 anos estavam casadas ou comprometidas desde os 18” nos 41 países analisados.


A segurança em relação à violência física, psicológica ou sexual também é prioridade para as meninas e os principais fatores que aumentam o seu acesso à escola. Neste sentido, a presença de professoras nos países com maior discriminação é essencial. Ao todo, no mundo, o número de mulheres docentes aumentou apenas 5% entre 1999 e 2012, passando de 58% para 63%.No entanto, em vários países há uma grande representação feminina entre os jovens mestres.


Por outro lado, há disparidade também entre os professores, já que as posições de liderança na educação tendem a ser ocupadas por uma proporção maior de homens – até mesmo onde há mais educadoras.


Embora o acesso à educação seja mais restrito para as meninas, a taxa de abandono dos meninos é maior e há mais obstáculos que dificultam sua permanência em sala de aula, por exemplo, a pobreza e a necessidade de entrarem no mercado de trabalho, entrada tardia na escola, baixo desempenho e desinteresse. Há também uma escassez de políticas públicas que visem deter a evasão dos rapazes, como o reforço escolar.


De acordo com a Unesco, todo este quadro pode ser melhorado principalmente com o treino e a capacitação dos professores para tornar o ambiente escolar mais igualitário. Entre as medidas possíveis estão a reforma dos livros didáticos, uma vez que muitos reproduzem preconceitos de género em diversos países, formação que permita que os professores aprendam a lidar com questões de género valorizando a igualdade e a inclusão, políticas para deter a violência de género e para que crianças de ambos os sexos obtenham resultados equiparados.

 

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