5 tendências das universidades do futuro
A aprendizagem ativa e a inteligência artificial aplicada ao ensino vão marcar a vida das universidades nos próximos anos
- É difícil prever até que ponto os robots vão substituir os professores nas universidades do futuro.
- A interdisciplinariedade de saberes vai reforçar-se e os departamentos tradicionais ficarão ultrapassados.
- Os exames como os conhecemos serão também substituídos por outros tipos de avaliação.
“Recentemente os media divertiram-se a comparar a visão da vida em 2015, retratado no filme de 1989, Back to the Future Part II, com a realidade, sendo que a Internet é a grande omissão. Mas e se estivéssemos a tentar prever a academia do futuro? Será que podemos ser mais precisos?”
As interrogações são de Eric Cooke, um professor reformado do departamento de Eletrónica e Computação, da Universidade de Southampton.
Será que nas previsões sobre as universidades do futuro alguma importante está a falhar? É impossível responder, mas muitos especialistas parecem ter uma certeza. A inteligência artificial vai dominar a academia e os professores terão que se reinventar para responder a novas solicitações de ensino.
Robots empáticos nas universidades
Nos próximos cinco anos, a automatização irá infiltrar-se cada vez mais nos vários aspetos da nossa rotina, no estudo, trabalho e vida pessoal. “Cada vez mais, vai ser difícil distinguir o que está a ser feito por uma pessoa e o que é feito por uma máquina. Como resultado, a natureza fundamental de como funcionam os humanos será transformada e nós vamos ter que trabalhar com mais inteligência”, considera Gideon Mann, chefe de Ciência de Dados da Bloomberg LP.
É importante desde já questionar como funcionará o equilíbrio entre o humano e a máquina numa sociedade mais avançada tecnologicamente. Alguns pessimistas receiam o futuro. A aprendizagem das máquinas deita por terra a noção de que os computadores só podem fazer o que os mandarem.
Existem crescentes exemplos de máquinas criativas e de experiências em que robots estão a ser treinados para expressar emoções e simular atenção melhor do que a maioria dos seres humanos.
Que consequências poderão ter estes robots empáticos nas universidades onde alguns professores são muito analíticos, mas mostram-se incapazes de compreender as emoções dos seus alunos?
Aprendizagem ativa com a ajuda das tecnologias
Atualmente, as universidades estão numa corrida para dinamizar o ambiente de ensino. Com a ideia de resolver o problema dos professores aborrecidos e dos seus públicos passivos, às vezes sonolentos ou mesmo ausentes, apostam na aprendizagem ativa aprimorada eletronicamente.
Os alunos dependem cada vez mais de motores de busca online, aulas online e palestras gravadas. A tendência será que os alunos fiquem em casa, a absorver o conteúdo das conferências online e, em seguida, venham para a universidade apenas para discutir os tutoriais que não entenderam no computador em casa.
Ensino mais personalizado ao ritmo de cada aluno
Na universidade do futuro a ciência terá feito progressos substanciais na compreensão de como as pessoas aprendem e das condições que otimizam essa mesma aprendizagem. As novas tecnologias também irão recolher dados precisos sobre o que está a ajudar mais os estudantes e o que não está a ser absorvido.
Um ciclo virtuoso de feedback rápido e a continua revisão pedagógica permitirá a melhoria do ensino e um ensino mais personalizado ao ritmo de aprendizagem de cada aluno.
Exames tradicionais vão passar à história
Os exames que enfatizam o domínio do conhecimento ensinado não serão mais a principal ferramenta para avaliar o desempenho dos alunos. Em vez disso, as avaliações medirão a forma como os alunos estão preparados para a aprendizagem futura.
Os alunos receberão novos conteúdos - materiais que não foram ensinados em aula - e serão avaliados pela capacidade de aprender esse conteúdo. Num mundo onde o emprego e o conhecimento mudam rapidamente, as avaliações devem medir a vontade e a capacidade dos alunos de continuar a aprender. Novas abordagens para pesquisa, ensino e aprendizagem exigirão estudantes mais colaborativos e criativos que saibam o que significa aprender bem.
Interdisciplinaridade de saberes
Os departamentos tradicionais e pesados das universidades serão reformulados para apoiar os esforços interdisciplinares necessários para criar soluções inovadoras para grandes problemas da sociedade. Superar grandes desafios depende da experiência de todas as ciências e humanidades, e as barreiras burocráticas e culturais à pesquisa devem ser e serão ultrapassadas.
- Fonte: Universia Portugal