Como funciona o cérebro em época de exames?
Aprende a ordem em que deves estudar, descansar e fazer desporto para melhorar os resultados
- Um estudo indica quantas horas deves descansar e fazer desporto para melhorar a memória.
- Os efeitos na memória serão maiores se esperares 4 horas antes de iniciares uma atividade física.
- O sedentarismo é um grande inimigo do cérebro.
Nem sempre muitas horas de estudo são sinónimo de boas notas nos exames, outros aspetos têm uma influencia determinante como a quantidade de horas que dormes ou o modo como praticas exercício físico.
Segundo um estudo recente publicado na Current Biology o desporto praticado quatro horas depois da aprendizagem melhora a memória e aumenta a atividade do hipocampo, o que significa que te pode ajudar a surpreender pela positiva nos exames finais.
Mas para que serve esta área do cérebro quando estudamos? O hipocampo é a chave no momento de recuperar a informação aprendida ou de recordar porque participa no processo de consolidação da memória. Se esta área está a funcionar de forma adequada podemos resgatar a informação, quando existem problemas, como no caso da doença de Alzheimer perdemos a memória.
Fazer exercício 4 horas depois do estudo
Os investigadores do Instituto Donders da Universidade Radboud dos Países Baixos e da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, testaram 72 pessoas que deveriam memorizar 90 imagens associativas durante 40 minutos. Depois os participantes no estudo foram divididos em dois grupos: os que praticavam exercício imediatamente a seguir a estudar e os que esperavam quatro horas antes da atividade física. O desporto consistia em 35 minutos a andar de bicicleta com uma intensidade de 80 por cento da capacidade cardíaca.
Dois dias depois, os participantes foram convocados para referirem quantas imagens conseguiam recordar das que foram memorizadas, fazendo-se um registo da atividade cerebral com ressonância magnética. Os resultados indicaram que aqueles que fizeram desporto quatro horas depois de estudar conseguiram memorizar mais imagens. A ressonância magnética também demonstrou um outro dado curioso: a neurogénese do hipocampo, ou seja, criaram-se novas conexões neurais, novas células capazes de participar na aprendizagem.
Desporto influencia neurotransmissores
Com este estudo é possível concluir que o exercício físico influencia os neurotransmissores a nível fisiológico, como a dopamina e a noradrenalina, aumentando as substâncias usadas pelo cérebro para os neurónios comunicarem entre si, o que tem consequências na aprendizagem, na melhoria da memória e, claro, nas notas dos exames. A grande novidade é o tempo de espera para que estas mudanças se efetivem. De acordo com esta investigação, o desempenho académico não melhorará se nos exercitarmos imediatamente após o estudo.
Na última década, tem sido amplamente pesquisado como é que o desporto beneficia a atividade cerebral, funcionando como proteção contra a deterioração cognitiva. Neurocientistas como John Ratey defendem a urgência de manter o corpo ativo para que o cérebro não envelheça prematuramente.
Se desde os primeiros homens o cérebro estava projetado para se mover, avançar, caçar e sobreviver, com a evolução instalou-se a palavra e o pensamento abstrato, mas o músculo continuou a ser o mesmo. Portanto, o funcionamento do cérebro está intimamente relacionado à atividade física. Por este motivo o sedentarismo é um grande inimigo do cérebro.
No livro Spark, The Revolutionary New Science of Exercise and the Brain, Ratey já afirmava que o pico de desempenho mental acontece entre duas e três horas após o desporto, com benefícios a longo prazo na neuroplasticidade do cérebro.
- Fonte: Universia Portugal