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Como calcular o valor do seu salário real

      
Como calcular o valor do seu salário real
Como calcular o valor do seu salário real  |  Fonte: Shutterstock

Pedro Andersson, o jornalista do Contas Poupança da SIC escreveu por estes dias um artigo no semanário EXPRESSO no qual nos interpelava sobre qual seria afinal o valor real do nosso ordenado, feitas as contas. Ou seja, o jornalista relembrava-nos e muito bem que, não nos podemos ficar apenas pelas contas básicas aos valores brutos ou líquidos do vencimento mas, por exemplo, ao equacionarmos uma nova proposta de emprego, temos também equacionar as despesas fixas inerentes. Como despesas fixas inerentes referimo-nos sobretudo aos valores despendidos no transporte: passe social ou transporte próprio.

Caso a deslocação casa/trabalho seja feita através de transporte próprio, não nos podemos esquecer de juntar também à equação, não apenas as despesas de combustível, de portagens e de estacionamento, como também as despesas adicionais de desgaste do veículo: travões, revisões extra, pneus, etc.

No seu artigo, o jornalista chega à conclusão que poucas são as pessoas que sabem efetivamente qual o valor real do seu vencimento. E você, já fez as contas?

Nos casos reais apresentados e aos quais vamos juntar mais alguns exemplos, imagine-se por exemplo o caso de um trabalhador, residente na margem sul do Tejo (Alcochete, por exemplo) e que trabalhe no centro de Lisboa e que ganhe €1000 líquidos. Terá provavelmente os seguintes gastos:

portagem Ponte Vasco da Gama: 2,75€ x 22 dias = 60,50€ por mês
combustível: 120€ por mês • estacionamento: 5€/dia = 110€ por mês
alimentação (almoço): 7€/dia x 22 dias = 154€ por mês
alimentação (lanche): 3€ x 22 dias = 66€

Ou seja, este trabalhador terá que pagar todos os meses mais de 510€ só para trabalhar e ganhar 1000€.

Não é difícil por isso concluir que afinal há quem tenha um vencimento real superior ainda que tenha um valor líquido mensal inferior ao apresentado acima: basta por exemplo que não tenha que recorrer a despesas de deslocação. Ou seja, se esse mesmo trabalhador tivesse um vencimento líquido de 700 € mas trabalhasse na cidade em que reside e não necessitasse de se deslocar em viatura própria, certamente teria um rendimento disponível superior.

Apresentamos também outras duas versões idênticas. Caso um trabalhador se deslocasse de Torres Vedras ou da zona da Ericeira, e auferisse os mesmos 1000€ líquidos, teria que subtrair pelo menos 169.30€, caso fizesse a deslocação via transportes públicos ou cerca de 625.3€ caso se deslocasse de transporte próprio entrando na A8 em Catefica, Torres Vedras ou ainda, 553.10€ - caso entrasse na Malveira, viesse ele da zona da Ericeira ou da zona de Torres Vedras.

Claro que podemos sempre dizer que as despesas referentes à comida têm sempre que ser feitas, independentemente da cidade onde se trabalhe e que a marmita pode ser uma grande ajuda nesta equação. Além disso, ao valor líquido há ainda muitas vezes que adicionar o valor do cartão de refeição, valor que de certa forma anulará também em certa medida os valores apresentados como despesas de refeição.

Leia também: Maior empenho na alimentação pode aumentar o rendimento profissional

De qualquer forma, só em despesas de deslocações, os trabalhadores desta região que diariamente se deslocam a Lisboa para trabalhar têm sempre que fazer contas às elevadas despesas de transporte. No caso daqueles que se deslocam em transporte próprio, a solução para suavizar esta elevada despesa pode estar no carsharing, na partilha de despesas com outros trabalhadores, mas aqui há que ter em conta os locais de trabalho dentro de Lisboa e a compatibilidade de horários. A partilha de despesas faz-se muitas vezes equacionando valores de combustível, portagens e desgaste do veículo, mas há quem opte também por alternar o veículo de deslocação semanal ou mensalmente. Ou seja, na primeira semana a deslocação faz-se no veículo do indivíduo A, na semana seguinte no do indivíduo B. 

Aqui fica o esquema com as contas a fazer:

TORRES VEDRAS
portagem A8 (Catefica): 4,90€ x 22 dias = 107.8€ por mês
combustível: 150€ por mês
Revisões extra ao carro: 200€ ano (150/12= 12.5€)
Pneus extra: 300€ ano (300/12=25€)
estacionamento: 5€/dia = 110€ por mês
alimentação (almoço): 7€/dia x 22 dias = 154€ por mês
alimentação (lanche): 3€ x 22 dias = 66€

MALVEIRA (vindo da Ericeira ou de Torres Vedras)
portagem A8 (Malveira): 1.6€ x 22 dias = 35.2€ por mês
combustível: 150€ por mês
Revisões extra ao carro: 200€ ano (150/12= 12.5€)
Pneus extra: 300€ ano (300/12=25€)
estacionamento: 5€/dia = 110€ por mês
alimentação (almoço): 7€/dia x 22 dias = 154€ por mês
alimentação (lanche): 3€ x 22 dias = 66€

Fica a ressalva que os valores de combustível tiveram por base o gasóleo e oscilarão consoante os preços praticados nas bombas e consoante os descontos que se tenha ou não em bomba e consoante a distância exata entre casa e o local de trabalho.

Outro dos casos apresentados no artigo remete-nos para os milhares de professores que todos os dias fazem dezenas ou até mesmo centenas de kms para exercer a sua profissão.

Quantos é que, para puderem lutar por uma melhor classificação nos próximos concursos anuais de professores, não se sujeitam a colocações em locais distantes e que muitas vezes até obrigam à separação familiar? É que muitas vezes, feitas as contas, torna-se preferível alugar um quarto ou um pequeno apartamento na área de colocação. Sacrifícios feitos em prol da esperança de um futuro melhor, e acima de tudo em prol da realização pessoal. E em tempos de crise e de falta de oportunidades de emprego, por vezes a equação, ainda que apresente valores pouco satisfatórios, obriga à ponderação de novas variáveis, como a satisfação pessoal ou um investimento para os concursos dos anos letivos seguintes.

Assim, caso receba ou vá candidatar-se a uma nova proposta de emprego, não se esqueça de juntar todas as variáveis para poder ponderar em consciência a validade da proposta em questão.

Liste todas as despesas “obrigatórias” relacionadas com o seu trabalho. Subtraia-as ao seu salário líquido e assim terá noção do seu salário real e o valor com o qual terá que contar.

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