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"Soares dos Reis" deixa a Firmeza 80 anos depois

      
Os 124 anos de história da Escola Artística de Soares dos Reis, no Porto, são percorridos por um desejo: ter instalações adequadas. A ambição cumpre-se no próximo ano lectivo com a mudança da velha fábrica da Firmeza para Fernão Magalhães.

A poucas semanas do final do ano lectivo, num momento em que as salas de aulas são tomadas por estudantes em exames, prepara-se a despedida 80 anos depois da ocupação do edifício da Real e Imperial Chapelaria a Vapor, na Rua da Firmeza. Há materiais já encaixotados a aguardar pela mudança para as instalações da extinta Escola Secundária de Oliveira Martins, localizada na Rua do Major David Magno, paralela a Fernão Magalhães. O imóvel existente foi reconvertido, tendo sido construído ainda um novo edifício. No próximo dia 28 (às 14.30 horas), há um encontro de antigos professores, alunos e funcionários.

Pessimista confesso, o presidente do Conselho Executivo da escola, Alberto Teixeira, encara a partida com uma "centelha de optimismo". "É a primeira vez que a escola tem um edifício pensado para ela. Penso que corresponde às expectativas actuais e pode dar resposta ao desenvolvimento futuro do Ensino Artístico", sublinha o professor. O espaço na Firmeza, ampliado ao limite, obriga à recusa anual de mais de 100 jovens que pretendem ingressar na Soares dos Reis. As novas instalações terão lugar para eles.

O imóvel, que de fábrica de chapéus passou a escola artística, conquistará nova vocação: albergará o hotel e a Escola de Hotelaria do Porto. Até Agosto, parte do edifício será encerrada para iniciarem-se as obras de reconversão. "É um digno aproveitamento do edifício. No fundo, permanecerá uma escola", continua.

Nascida em 1884 por pressão dos industriais do Porto e apesar das diferentes designações (Escola Industrial de Faria de Guimarães, Escola de Artes Decorativas e, finalmente, Escola Artística de Soares dos Reis), a Soares dos Reis não perdeu a aptidão de formar alunos para a actividade profissional. No entanto, com o passar dos anos e com o surgimento de novas formações superiores, são poucos os jovens que, concluído o 12º ano, optam entrar no mercado de trabalho.

Com 600 alunos a estudar de dia e 200 à noite que vêm dos distritos do Porto e de Aveiro, Bragança e Alto Minho, a maioria segue estudos. Muitos ingressam nas Belas Artes. Outros, sobretudo os da área multimédia, procuram formações complementares no Reino Unido. No tempo da Escola Faria Guimarães, formavam-se jovens ao nível do bacharelato. Hoje, se uma fábrica precisar de alguém na área de design, vai buscá-lo ao instituto superior. Somos mais do que Ensino Secundário, mas não somos Ensino Superior, adianta. Com o dobro do espaço para crescer, o Conselho Executivo da única escola artística do Norte quer reforçar a proximidade ao tecido empresarial.

A partir de Setembro, aumentarão o número de turmas de 10º ano (de oito para 12) e será reformulado o ensino nocturno com uma oferta mais adequada a adultos. Nas novas instalações, será possível abrir cursos profissionais vocacionados para o mercado de trabalho na área artística, nomeadamente de Restauro, de Design Têxtil e de Joalharia. "São três turmas que queremos abrir", especifica ainda. E já haverá espaço físico para que o curso de multimédia tenha, também, a vertente de som, até agora inexistente. Para um futuro próximo, soma-se a vontade de criar cursos livres abertos à comunidade e cursos de especialização tecnológica.

Trata-se de uma "formação muito específica numa determinada área" pós 12º ano que pressupõe uma ligação a instituições do Ensino Superior. "É uma espécie de estágio. Queremos investir para os alunos que chegam ao 12º ano e sentem que não estão preparados para o mundo de trabalho", concretiza. Quando toda as valências existirem, a Soares dos Reis terá mais de mil alunos.

Fonte: JN
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