A forma como actualmente as crianças ocupam o seu tempo motivou a dissertação de uma tese de Doutoramento defendida na Faculdade de
Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP)
sob a orientação de Orlanda Cruz intitulada "O Uso do Tempo e o Desenvolvimento das Competências
Sociais em Crianças em Idade Escolar".
Estudo realizado na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto envolveu mais de 300 crianças em idade escolar
Em média, as crianças estão quase quatro horas e meia em aulas e 42 minutos a estudar ou a realizar TPC
Ao fim-de-semana as crianças portuguesas dormem até mais tarde e passam as manhãs a ver televisão e a jogar jogos electrónicos; nos restantes dias, levantam-se cedo mas continuam a deitar-se tarde; dormem cada vez menos à semana, e mais ao fim-de-semana, parecendo querer compensar uma semana mais activa e com menos tempo de sono. As refeições são o principal momento de encontro da família, sendo que, em média, as crianças estão quase quatro horas e meia em aulas e 42 minutos a estudar ou a realizar TPC aos dias de semana; são poupadas à realização de tarefas domésticas mas, no fim-de-semana, as raparigas passam significativamente mais tempo do que os rapazes na preparação de refeições e a arrumar a casa; dedicam a actividades sociais cerca de 1h 15m, tanto à semana, como ao fim-de-semana; os rapazes passam muito mais tempo a praticar desportos ou a realizar actividade física do que as raparigas.
Estas são algumas das conclusões apresentadas por Vítor Teixeira na tese de doutoramento "O Uso do Tempo e o Desenvolvimento das Competências Sociais em Crianças em Idade Escolar", defendida na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) sob a orientação de Orlanda Cruz.
O estudo, desenvolvido para a realização da tese de doutoramento, teve como objecto o uso do tempo e o desenvolvimento das competências sociais em crianças de idade escolar, e, como objectivos, conhecer a forma como as crianças usam o seu tempo e perceber de que modo as diferentes formas de gestão do quotidiano estão associadas ao seu desenvolvimento. Participaram 317 crianças (157 rapazes e 160 raparigas), com idades entre os 8 e os 10 anos, que frequentavam o 3.º ano de escolaridade em escolas públicas do Grande Porto.
Os dados permitem retratar o quotidiano das crianças, fornecendo informação sobre o tempo despendido a realizar várias actividades, passado sozinho ou com outras pessoas, em diversos locais. Permitem, também, identificar diferentes grupos de sujeitos em função da forma como usam o seu tempo, e associar várias dimensões do uso do tempo das crianças com indicadores de competência social.
Vítor Teixeira salienta que a introdução das chamadas novas tecnologias, bem como as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas (nomeadamente, com o aumento do emprego feminino), desencadearam alterações no quotidiano das crianças e suas famílias. A finalizar, o autor apresenta diversas sugestões para uma intervenção no quotidiano das crianças e para um estudo sistemático, que permita a monitorização da forma como usam o tempo – uso que pode influenciar o seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.