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Partidos do poder penalizados nas eleições quando inflação e desemprego são elevados

      
Professor Paulo Reis Mourão
Professor Paulo Reis Mourão

 

As taxas elevadas de inflação, combinadas com uma intensa cobertura mediática, diminuem as possibilidades da vitória eleitoral do partido que está no poder e aumentam a competitividade política. A conclusão está num estudo da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, que relacionou o comportamento eleitoral, a inflação e os mass media em 70 países democráticos no período entre 1960 e 2006. Este trabalho do professor Paulo Reis Mourão foi publicado na conceituada revista “Applied Economics Letters”.

 
“Os eleitores em geral não gostam de notícias económicas negativas e a forma como as ‘leem’ pode afetar o seu sentido de voto, potenciando corridas eleitorais renhidas. Esta situação tem sucedido nas últimas décadas, sobretudo em democracias maduras e com boa cobertura da comunicação social”, refere o autor. Segundo o estudo, os eleitores da União Europeia mostram-se mais sensíveis à cobertura de notícias económicas negativas veiculadas por parte das televisões e das rádios. Já nas outras zonas do mundo são os jornais a ter um peso mais significativo na opinião pública.

 
A pesquisa verificou algumas particularidades, como a forte correlação entre taxas de inflação e desemprego. Por outro lado, o impacto eleitoral e mediático da taxa de inflação foi, porém, atenuado nos países em que também havia simultaneamente crescimento económico e subida dos salários reais. “Os políticos e governantes preocupados com o bem-estar dos cidadãos devem ter uma utilização eficaz dos instrumentos de comunicação, fazendo boas escolhas na mensagem ao nível do timing, do conteúdo e da forma”, realça o economista da UMinho. No futuro, o seu objetivo é explorar outras variáveis, comparando por exemplo o maior acesso aos novos media e às redes sociais com os índices de desemprego e de dívida pública.

 

Estado tende a investir em municípios populosos

 

Entretanto, Paulo Reis Mourão concluiu noutro estudo, aplicado apenas a Portugal, que os municípios da cor política do Governo não são por norma valorizados em termos de financiamento, mas sim os municípios com média/grande dimensão populacional. A investigação, intitulada “Pork-barrel versus Irrelevance efects in Portuguese public spending”, analisou o Plano de Investimentos do Estado (PIDDAC) desde 1997 e foi publicada na revista científica “Government and Policy”.
 

“Muitos pequenos concelhos (com menos de 60.000 eleitores) até podem ser os mais fiéis de São Bento, mas a sua irrelevância põe-nos mais longe dos grandes investimentos públicos do que outros, que até podem ser administrados pela oposição mas atraem sempre mais atenção. É como as raparigas que ficam bem na foto, mesmo que não sorriam”, justifica Paulo Reis Mourão. O também membro do Núcleo de Investigação de Políticas Económicas (NIPE) da UMinho acrescenta no estudo que a transferência de verbas PIDDAC tende a ser mais generosa em anos eleitorais.


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