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“A América Latina necessita de respostas inovadoras para melhorar a qualidade de vida de todos”, diz Manager do BID

      
Foto: Marcelo Cabrol
Foto: Marcelo Cabrol

Na América Latina e no Caribe, a abertura tecnológica, a inovação e o empreendimento digital são as chaves da transformação para a mudança social. “Fomentar uma autêntica cultura de inovação é o caminho para enfrentar os desafios pendentes na região”, assegura Marcelo Cabrol, Manager da Direção de Relações Externas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

 

-Por que é que uma entidade como o BID se envolve com um tema como a inovação?
Para nós, a inovação não é um conceito abstrato, e sim uma forma criativa de responder aos desafios do dia a dia. A América Latina e o Caribe são duas regiões que sofreram transformações muito importantes nas últimas décadas, graças aos passos significativos que deram contra a pobreza, a redução do analfabetismo e a estabilidade macroeconómica. No entanto ainda persiste uma grande desigualdade e falta de acesso a oportunidades para todos os cidadãos. Necessitamos de continuar a trabalhar para resolver esses grandes desafios através de focos diferentes e de novas alianças.


-Quais são esses novos desafios que a região enfrenta?
Alguns dos desafios mais urgentes incluem a segurança cidadã, o meio ambiente, a necessidade de infraestruturas e a falta de emprego para o grande número de jovens que estão a entrar no mercado de trabalho. Esses mesmos jovens estão à procura de uma formação mais competitiva, que permita uma inserção laboral real em postos mais qualificados. A região não está a produzir suficientes profissionais técnicos nem científicos e isso reflete-se, entre outras áreas, na nossa limitada capacidade de inovar.


-O que significa o conceito de “cultura de inovação” que o BID utiliza?
Dentro do BID estamos a fazer um grande esforço para assegurar que, como banco de desenvolvimento, somos o mais inovador possível na nossa própria atividade. Para nós, significa manter um diálogo com os inovadores mais audazes da nossa região e do resto do mundo, fomentando intercâmbios de experiências e soluções que podem ser relevantes para os nossos projetos de desenvolvimento. Queremos que os indivíduos desta organização a incorporem nas suas tarefas e que possam implementar novas alternativas a velhas problemáticas. Desta forma, as experiências que ocorrem “fora de portas” permitem-nos repensar continuamente os modelos de trabalhos existentes.

 

-É a isso que se referem com “inovação aberta”?
A inovação aberta parte de uma premissa: as boas ideias podem surgir dentro e fora de uma empresa. Os empreendedores devem conectar-se e inspirar-se não apenas nos seus pares como também com as instruções públicas, o sector académico e os potenciais investidores para os seus projetos. Deste modo, uns e outros podem incentivar-se mutuamente para alcançar essas novas respostas que a América Latina requer para o seu desenvolvimento.

 

Quando em 2013 criamos o Idear Soluciones, vimos o enorme potencial inspirador que as histórias sobre inovação têm. Ao expô-las a um grande público, estendem-se novas pontes entre pessoas de distintos âmbitos e surgem conversas criativas sobre como resolver questões práticas. Para nós isto tem um grande valor e a nossa ideia é que o Idealizar Soluções se vá transformando numa forma contínua de trabalhar.

 

-Como é que as ferramentas digitais estão a influenciar na criação dos novos empreendimentos e como podem dar resposta aos desafios do desenvolvimento?
O uso criativo da tecnologia está a gerar uma revolução em todos os aspetos da vida profissional. No caso dos empreendedores, especialmente nos mais jovens, é interessante observar que fenómenos como o teletrabalho, as aplicações na nuvem e as possibilidades de colaboração à distância, estão a simplificar o processo de iniciar uma empresa, contratar pessoal e exportar serviços relacionados com a criatividade. Hoje, sem grandes capitais iniciais, é possível criar projetos sustentáveis, tirando-se grande partido das distintas plataformas digitais.

 


A revolução digital também está a impulsionar a criação de aplicações práticas que podem melhorar a vida de grandes setores da população latino-americana. Este ano, por exemplo, conhecemos Juan Contreras, um empreendedor chileno que desenvolveu uma aplicação que faz um scan à retina para ajudar a diagnosticar precocemente os sintomas da diabetes, e Victoria, uma empreendedora uruguaia que desenhou uma plataforma tecnológica para detetar e monitorizar as doenças no gado, antecipando-se assim possíveis crises de abastecimento no sector. O denominador comum de ambos os projetos é que, através de uma utilização criativa e económica da tecnologia, apontam a resolução de questões inerentes ao desenvolvimento. No primeiro caso, contribuindo para melhorar a saúde pública e, no segundo, disponibilizando suporte tecnológico a um sector produtivo vital para um país como Uruguai.

 


-Que tipos de empreendimento necessita a América Latina?
Não se trata de fomentar qualquer tipo de empresa, mas sim aquelas verdadeiramente inovadoras que tenham um impacto económico e social. É muito mais difícil sustentar um projeto que cria-lo e esse é precisamente um dos nossos propósitos; impulsionar empreendimentos que perdurem e que tenham grandes possibilidades de crescer e de se expandir, incluindo para fora do continente. Acreditamos que a região não tem porquê copiar receitas de outras partes do mundo mas sim ao contrário, ser capaz de gerar de dentro iniciativas que possam sair a competir com o resto do mundo. As experiências que estamos a apresentar em Idealizar Soluções mostram-nos que as ideias inovadoras, disruptivas e com êxito podem surgir em qualquer canto do mundo.

 


-Qual é o estado da inovação hoje na América Latina e no Caribe?
Durante muitos anos, não estávamos nem sequer no “radar” da inovação. Mas recentemente, houve um surgimento impressionante de ideias disruptivas na região. Segundo a YouNoodle, uma consultora especializada em assessoria e monitorização de empreendedores, e cujo CEO Torsten Kolind participará como orador em Idealizar Soluções, a participação das start ups da América Latina e do Caribe em competências regionais e mundiais aumentou 82% no último ano, um número muito acima do registado a nível global, que foi de 49%. Este impulso foi liderado pelo Chile, Argentina, Brasil e Peru, o que nos indica que há um grande dinamismo no ecossistema de empreendedores do continente.

 


-Como é que os governos da região e o setor privado podem trabalhar juntos para impulsionar a inovação?
Nos últimos anos assistimos a uma grande tendência de colaboração entre os setores públicos e privados para resolver os desafios pendentes da região. No BID, estamos a trabalhar junto dos governos para melhorar as políticas públicas, desde a simplificação de trâmites até à implementação de benefícios fiscais para incentivar a inovação. Por outro lado, estamos a facilitar ligações entre os empreendedores da América Latina com algumas das empresas privadas regionais que já conseguiram implementar-se a nível global, para que trabalhem juntos e aprendam com essa experiência.

 


-Por que é que criaram o evento Idealizar Soluções?
Para divulgar histórias relevantes de inovação que inspirem uma nova geração de empreendedores na América Latina e no Caribe. Em 2013 levamos a cabo o primeiro evento de Idealizar Soluções, com a ideia de impulsionar a conversa sobre a inovação, com tal entusiasmo por parte dos participantes que nos motivou a organizar novamente o evento este ano. O evento vai realizar-se no próximo dia 2 de dezembro em Washington, D.C., onde pela primeira vez teremos uma Noite de Empreendimento na qual os 16 jovens inovadores que foram selecionados de toda a região apresentarão as suas ideias a potenciais investidores.

Quem estiver interessado mas não possa comparecer em Washington, poderá seguir o evento pela Internet via streaming, em espanhol, inglês e português.

Idealizar Soluções é uma ótima oportunidade para se contagiar com a visão e o entusiasmo destes jovens empreendedores e de se expor a novas ideias que já estão a ser postas em prática.

 


A quem está dirigida esta iniciativa e porque é que as pessoas teriam interesse em participar?
Idealizar Soluções é uma iniciativa dirigida a empreendedores e inovadores, assim como também a instituições públicas ou do sector académico, investidores e público em geral interessado em projetos que dão novas respostas aos desafios de desenvolvimento da América Latina e do Caribe.



Idealizar Soluções é uma plataforma de inovação aberta para mostrar histórias de inovação contadas através daqueles que estão no centro das boas ideias. E não se trata apenas dos16 jovens selecionados, a curiosidade e a criatividade não conhecem idade. Também não se trata apenas de identificar automaticamente novos problemas. De fato, muitas das necessidades da nossa região, já têm soluções que infelizmente não se adaptam à realidade dos problemas.


Através do Idealizar Soluções procuramos respostas aos desafios criados por uma brecha entre a oferta e as necessidades existentes. À margem onde o mercado não conseguiu chegar nascem soluções inovadoras, e o Idealizar Soluções é uma oportunidade de conectar as ditas inovações e leva-las à escala através da interação entre todos aqueles que estão entusiasmados em participar.


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