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Entrevista

"Os media sociais tendem a ter uma importância crescente na divulgação dos movimentos", diz Cátia Ferreira

      

Cátia Ferreira

Doutorada em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde é Professora Auxiliar Convidada e coordenadora da Pós-Graduação em Comunicação e Marketing de Conteúdos.

  • Serão as redes sociais capazes de criar um movimento sólido e com exigências claras?

Os media sociais têm tido um papel de grande relevância nos movimentos sociais, não por tornarem os processos de mudança mais fáceis ou eficazes, mas por permitirem às pessoas tornarem públicas as suas causas e organizarem-se com maior facilidade, independentemente da sua localização. Ou seja, estas plataformas contribuem diretamente para uma mudança na organização e formas de comunicação dos membros dos movimentos, mas não tornam, por si só, os movimentos mais sólidos ou claros. Os novos movimentos sociais continuam a precisar de ser estruturados e divulgados através de meios tradicionais, a diferença é que atualmente é mais fácil chamar a atenção para diferentes movimentos e dessa forma angariar novos membros e simpatizantes.

  • Que vantagens ou desvantagens considera existirem ao informar-se a sociedade da existência de movimentos sociais através destes meios?

As vantagens principais são a facilidade de divulgação, e consequente acesso a informação sobre diferentes movimentos, bem como a maior facilidade em seguir e, eventualmente, juntarmo-nos a diferentes grupos de reivindicação. Quanto a desvantagens, torna-se mais difícil apurar os verdadeiros objetivos de cada grupo, isto é, como todos os grupos se podem apresentar da mesma forma, e há flexibilidade na forma como o fazem, pode ser mais difícil ter a certeza da seriedade das intenções dos diferentes movimentos.

  • Que características têm as mensagens difundidas pelas redes sociais que fazem com que as pessoas simpatizem com estes movimentos?

As mensagens difundidas através destes meios tendem a ter um tom mais pessoal e a incitar à ação. Adicionalmente há a tendência para recorrer não só a mensagens em texto, mas para tirar partido da fotografia, articulada ou não com texto, e até de conteúdos multimédia. Estas linguagens mediáticas contribuem para tornar os conteúdos mais apelativos e de leitura mais fácil.

  • É possível que no futuro se possa gerar um movimento social significativo baseado unicamente nas redes sociais?

Dificilmente, pois apesar destas plataformas permitirem uma comunicação mais dinâmica e de proximidade, movimentos recentes como a Primavera Árabe ou os Indignados são exemplo da relevância do contacto face-a-face e da necessidade de 'ir para a rua' para tornar os movimentos conhecidos por um número maior de pessoas, até porque só aí é que estes movimentos têm cobertura por parte dos média tradicionais. Os media sociais tendem a ter uma importância crescente na divulgação dos movimentos, bem como na extensão da rede de membros e simpatizantes que, através destas plataformas, conseguem desenvolver laços entre si e comunicar de forma organizada e simultaneamente apelativa. Contudo, de modo a poderem tentar contribuir efetivamente para a mudança social, estes movimentos não podem existir únicamente no ciberespaço, precisam de ter uma dimensão física que lhes confira uma maior visibilidade e credibilidade.

  • Quão eficaz poderia ser o movimento no que respeita à sua capacidade de convocatória e de resultados obtidos?

Acho que poderia ser muito eficaz a estabelecer uma rede de membros e simpatizantes, pois poderia tirar partido das valências de comunicação e de organização de redes de contactos e de interesses destas plataformas. Mas pouco eficaz a nível da efetividade dos seus resultados, pois, apesar da crescente importância do ciberespaço, neste tipo de contextos o espaço físico continua a ser o principal por tornar estes movimentos palpáveis.

 

Sobre Cátia Ferreira:

Cátia Ferreira é doutorada em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde é Professora Auxiliar Convidada e coordenadora da Pós-Graduação em Comunicação e Marketing de Conteúdos. É investigadora no CECC – Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (UCP). As suas áreas de investigação e docência são os novos media, em particular jogos digitais, media sociais e dispositivos móveis, comunicação multimédia e leitura digital.



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