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Entrevista

Fuga de cérebros: "A universidade tem de ser capaz de conectar sucesso com recompensa e estabilidade", diz David Cairns

      
Fuga de cérebros:

David Cairns

ISCTE - Instituto Universitario de Lisboa.

  • A que se referem as expressões fuga e roubo de cérebros, e qual predomina no nosso país?

A expressão ‘fuga de cérebros’ tem dois sentidos: um que significa o movimento de pessoas altamente qualificadas para o estrangeiro por motivos de trabalho e o segundo que se aplica a emigração de cientistas especializados, particularmente em campos de investigação onde os resultados do trabalho têm um valor económico muito alto. Em Portugal, o primeiro movimento domina o segundo, no discurso público, político e académico, e em consequência o impacto do segundo tipo de fuga está escondido e continua sem intervenção enquanto a existência do primeiro assume maior relevo.

 

  • Que fatores influenciam as pessoas levando-as a ponderar deixar o seu país para trabalhar ou estudar noutro?

Trata-se de um fenómeno constante em praticamente todas as sociedades. Existem vários fatores que influenciam a decisão de sair, mas dois fatores têm uma significância elevada: primeiramente, a perceção que deixar o país pode melhorar a situação social individual, e seguidamente, a capacidade efetiva de deixar o país. A primeira inclui a situação profissional, educacional ou outros fatores mais subjetivos, por exemplo, uma cultura mais estimulante ou um clima mais agradável no país de destino.

A segunda resulta de uma combinação de capacidades socioeconómicas: basicamente, os recursos necessários para concretizar a saída e a informação necessária para iniciar uma vida nova numa sociedade estrangeira, por exemplo, conhecimento do mercado de trabalho e do sistema de educação. Para sair do seu país uma pessoa tem de possuir o desejo e a capacidade. Sem um ou o outro, é impossível.

 

  • Qual é a área de conhecimento e sector produtivo mais propensos à fuga e/ou roubo de cérebros?

No passado a área da investigação científica, mas também outros sectores, por exemplo, a saúde, a educação ou o desporto. Mais recentemente, o sector bancário. Nestas áreas, por causa do valor potencial das capacidades e da sua raridade, uma fuga pequena significa um problema.

 

  • Que implicações económicas e sociais têm a fuga e/ou roubo de cérebros?

É difícil de estimar porque cada ‘roubo’ tem um risco. Por exemplo, uma pessoa fazer alguma coisa espetacular e gerir muito dinheiro com patentes ou lucros ou não fazer nada. Noutros casos a mesma pessoa pode falhar em desenvolver capacidades para fazer estas coisas por causa da ausência de facilidades ou oportunidades. O impacto pode ser multiplicado também, como um exemplo para outras seguir, e iniciar um ciclo de desenvolvimento.

 

  • Qual o papel que a universidade e o governo devem ter neste assunto? Existe algum outro sector que deva atuar em conformidade com esta realidade?

A universidade tem de ser capaz de conectar sucesso com recompensa e estabilidade. Muitas vezes isto não acontece por causa da falta de investimentos e pelo facto de as universidades estarem congeladas, relativamente a pessoas e ideias, e não quererem criar um ambiente mau. Neste aspeto, a cultura da universidade e a economia da universidade têm de mudar para criar um espaço onde as pessoas queiram ficar.

 

  • Que panorama se prevê para os próximos 4 anos?

Não é certo, mas antecipo mais concentração de capital nos centros de poder: Estados Unidos, China e, na Europa, a Alemanha. E mais fugas para estes destinos em sectores estrategicamente importantes.

 



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