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Leia a entrevista a Vhils e veja 4 das suas obras

      
Confira a entrevista com Vhils e veja 4 de suas obras
Confira a entrevista com Vhils e veja 4 de suas obras  |  Fonte: Reprodução

Vhils é um dos mais notáveis artistas portugueses, com renome internacional e obras de tirar o fôlego. A Universia Portugal conversou com o artista sobre arte, inspiração e o impacto do seu trabalho na vida das pessoas. Leia a entrevista na integra e fique a conhecer alguns dos seus trabalhos em Portugal e no mundo.

Universia Portugal: Que peso tem a arte como um todo na vida do Vhils e que impacto gostaria que a sua arte tivesse na vida dos outros?
Vhils: Tem um peso e uma presença grande. A arte acompanha-me sempre no meu dia-a-dia. Além de toda a pesquisa e trabalho que desenvolvo no âmbito da minha própria obra, procuro acompanhar aquilo que se vai fazendo pelo mundo fora, o que nem sempre é fácil. Sou também co-director da Galeria Underdogs em Lisboa, o que me dá a oportunidade de acompanhar o trabalho dos artistas que representamos e outros que nos despertam a atenção. A arte é comunicação livre, uma interpretação subjectiva, poética dos fenómenos da vida. O que a arte nos permite de alguma forma é o acesso a outra perspectiva, a possibilidade de podermos sentir ou experienciar um pouco mais do que aquilo que nós sentimos, vemos e ouvimos. Quer concordemos ou não com essa perspectiva, com essa reprodução interpretativa da realidade, creio que é sempre enriquecedora.

O mesmo posso dizer sobre o meu trabalho – gostaria que convidasse as pessoas a reflectirem sobre a realidade que ele analisa, sobre a natureza e características das sociedades urbanas presentes, sobre o modo como o modelo de desenvolvimento global se encontra a afectar a identidade de pessoas e comunidades à volta do mundo. Estamos a assistir a uma uniformização dos hábitos culturais e uma erosão daquilo que nos tornava diferentes em cada canto do mundo. Este modelo traz muitas coisas positivas, mas também muitas outras negativas. O que me interessa é reflectir sobre este processo, tentar expor os rostos das pessoas que habitam estes lugares e procurar encontrar e captar algo da essência destas identidades que se encontram a desaparecer.

Universia Portugal: É inegável o seu contributo para que o grafiti passasse a ser encarado também como arte urbana e para que a sociedade passasse a dissociar o grafiti de atos de puro vandalismo. Que conselhos dá aos jovens que querem dar os primeiros passos nesta arte?
Vhils: O que eu tento fazer é jogar com esta ideia de ser uma prática puramente vandalizante e trazê-la para outros contextos de modo a subverter esta percepção. Mas o graffiti é vandalismo, não o podemos negar. Quanto aos jovens, não creio que exista uma fórmula mágica. Passa muito pela capacidade de promoção do trabalho, desenvolvimento de contactos, aproveitamento de oportunidades sem ter medo de avanços e recuos, estar disposto a investir, correr riscos. É preciso sobretudo acreditar naquilo que se faz e ser-se honesto consigo mesmo e com o seu trabalho.

Universia Portugal: Os seus trabalhos distinguem-se bastante das restantes manifestações de arte. Como é que tudo começou e como tem sido a principal evolução da sua técnica?
Vhils: Tudo partiu das minhas observações sobre o modo como as paredes no espaço público vão ganhando camadas ano após ano, captando algo da essência do lugar e da passagem do tempo. Apercebi-me um dia que em vez de usar as paredes como fazia até então, adicionando mais camadas de tinta, podia usar aquilo que já lá estava. Para tal decidi experimentar usar um processo de escavação, usando a técnica do stencil em reverso, como um processo de subtracção em vez de adição de camadas. Esta prática tinha uma ligação com a noção de vandalismo artístico que eu andava a explorar desde que me iniciara no graffiti.

Comecei por escavar aglomerados de cartazes colados nas paredes, e ao fazê-lo vi que estava a trazer à superfície fragmentos da história recente da cidade – publicidade a eventos culturais, etc. Constatei que refletiam a dimensão caótica da cidade e o seu ritmo frenético, o modo como tudo muda em tão pouco tempo. Representavam bem o ritmo das nossas sociedades urbanas contemporâneas, em que tudo parece mudar de forma vertiginosa com o avanço da tecnologia. O acto de trazer esses fragmentos à superfície pareceu-me quase um trabalho arqueológico. O processo começou com os cartazes, passou depois para as paredes, e posteriormente para outros materiais. Não foi desenvolvido com a intenção de encontrar uma técnica inovadora, mas sim evoluindo de forma orgânica, quase como se tivessem sido os próprios materiais a apontarem-me a direcção.

Universia Portugal: O que é que o inspira no seu dia-a-dia e em que ou quem é que se inspira ao executar os seus trabalhos?
Vhils: Tudo tem potencial para me inspirar. Acho que enquanto pessoas reflectimos tudo aquilo que nos rodeia e aquilo pelo qual já passámos, todos estes elementos contribuem para moldar as pessoas que somos e isso reflecte-se naturalmente naquilo que fazemos. A cidade, o olhar sobre a cidade, é fundamentalmente a raiz do meu trabalho e é uma grande fonte de inspiração. Não só o espaço urbano em si, mas também os seus habitantes e as suas comunidades, a história, a passagem do tempo, as relações que os habitantes têm com o lugar onde vivem...

Gosto de absorver tudo o que a vida tem para oferecer. Interesso-me por história e cidades, por paisagens e viagens, gosto de contactar com outras culturas, gosto de música e filmes e muito mais. Gosto de me sentir estrangeiro numa cidade enquanto observo o que se passa à minha volta, sem pressa; gosto de absorver e aprender. Gosto do caos do meio urbano e dos diferentes contrastes que a cidade oferece.

Universia Portugal: Quais os próximos desafios? O que é que gostaria de fazer em termos de obra artística?
Vhils: Tenho muitos projectos em mão, inclusive algumas exposições individuais na Ásia que irão ocorrer este ano. Cada um destes projectos é um desafio que envolve muito trabalho. Há muitos mais projectos que gostaria de fazer, mas prefiro divulgá-los à medida que se vão concretizando.

4 OBRAS DE VHILS EM PORTUGAL E NO MUNDO

Dica: Clique na imagem para uma versão maior!

centro-deinovacao-e-competitividade-lisboa-2016-vhils
LISBOA, PORTUGAL

Onde ver: Centro de Inovação e Competitividade de Liboa
Ano: 2016
Técnica: Esculpido em Parede

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PRET-A-DINER

Onde ver: Restaurante Pret-a-Diner, em Berlim, na Alemanha
Ano: 2011
Técnica: Esculpido em Parede

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VHILS EM LISBOA

Onde ver: Rua dos Cegos, 42, Lisboa
Ano: 2015
Técnica: Esculpido na calçada

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URBAN NATION - ALEMANHA

Onde ver: Bülowstraße 97, Berlim, Alemanha
Ano: 2015
Técnica: Esculpido em Parede

Coloque essa arte na sua vida:

» Site do artista
» Instagram do artista
» Entrevista do Vhils para a Universia Brasil com 4 outras obras


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