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Entrevista

Conseguir emprego: o sonho inatingível dos jovens?

      
Conseguir emprego: o sonho inatingível dos jovens?

João César das Neves

João César das Neves é professor catedrático da Universidade Católica Portuguesa. Doutorado e licenciado em Economia pela UCP, mestre em Economia pela Universidade Nova de Lisboa e mestre em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas pela Universidade Técnica de Lisboa. Assessor económico do Primeiro Ministro (1991/95), autor de vários livros e colaborador da imprensa.

• Porque é que cada vez é mais difícil para os jovens conseguir um emprego digno? (Que seja de acordo com o que estudaram, com condições laborais justas, segurança social, valores de vencimento, etc.)

A resposta a esta questão é complexa e inclui vários elementos. Claro que a crise é a razão principal do desemprego elevado, mas há factores específicos. Primeiro não é verdade que seja «cada vez é mais difícil para os jovens conseguir um emprego digno». A taxa de desemprego jovem é sempre superior à média e hoje essa relação, embora mais alta que nos anos recentes, está muito abaixo do que foi nos anos 1970, por exemplo. Depois é preciso dizer que a exigência no emprego aumentou. Esta geração não considera «emprego digno» actividades que os seus pais aceitavam. Isto é sinal que somos um país mais rico e exigente, mas isso traz consigo problemas, como seja o desemprego jovem, que existe em todos os países europeus. Há mais causas que não podem ser aqui referidas

• Que alternativas de emprego se colocam aos jovens atualmente?

As alternativas são as de sempre, numa economia que está a mudar. Portugal tem uma situação estranha, com excesso de trabalhadores em certos sectores e falta noutros, é colmatada com imigrantes. Por exemplo, os jovens hoje preferem os serviços à agricultura e à indústria. Sobram escriturários e secretárias e faltam trabalhadores técnicos e artesãos

• O que é que os jovens podem fazer para melhorar a sua situação laboral? Qual poderia ser o primeiro passo?

Mais uma vez a pergunta exige uma resposta complexa, que não cabe neste espaço. O melhor que há a fazer é procurar oportunidades para lá das óbvias. É preciso aceitar empregos em sectores, actividades e regiões diferentes; deve aceitar-se começar por baixo para depois subir. Claro que a formação é importante, mas tem de ser prática e adequada aos empregos. Infelizmente muita formação, mesmo superior, é meramente formal, sem aplicação moral adequada.

• Quem é o principal responsável por oferecer as condições necessárias para que os jovens possam ter um emprego adequado?

Só é possível criar empregos verdadeiros em empresas e serviços úteis e produtivos. Assim responsável é toda a sociedade, a economia, os empresários e trabalhadores, mas também negativamente os que criam obstáculos ao investimento e criação de emprego: impostos, burocratas, interesses instalados, monopólios, etc.

• Os jovens devem optar por uma área de estudos tendo em conta os seus interesses ou devem apenas ter em conta as necessidades da indústria em desenvolvimento e a oferta laboral do país?

Infelizmente muitos jovens escolhem a sua área de estudo como quem escolhe um passatempo e não como quem escolhe uma carreira profissional. Olham para o emprego como uma coisa que se goste e não uma coisa que seja útil. Depois não admira o desajustamento entre as formações disponíveis e as necessidades do país

• Quais acredita serem as carreiras do futuro?

Todas as carreiras úteis têm futuro

 



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