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Entrevista

"Na Universidade do futuro, não serão as aulas o mais importante", diz Professor Paulo Pinto

      

Professor Paulo Pinto

Professor Auxiliar na Universidade Lusíada de Lisboa, desde 2012, sendo responsável por várias unidades curriculares nos cursos de Informática, Engenharia Informática, Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e Comunicação e Multimédia.

  • Quais são as atuais tendências ao nível das metodologias de ensino e de aprendizagem, e como é que acredita que será a evolução a médio prazo, daqui a 5 ou 10 anos?

A tendência atual passa pela utilização de plataformas de apoio ao ensino que permitam o registo de atividade dos alunos e o acesso “anytime, anywhere” aos conteúdos didáticos disponibilizados pelos docentes. A evolução a médio prazo será para uma flexibilização dos conteúdos curriculares dos cursos, com liberdade de auto aprendizagem, complementada por tutoria “anytime, anywhere” através dos vários meios de comunicação ao dispor.

  • Que barreiras poderá enfrentar a implementação destas novas metodologias de ensino no país?

As barreiras terão a ver com a certificação do conhecimento, até porque, segundo creio, muita gente quererá adquirir conhecimentos mas poderá não estar interessada em certifica-los. Na Universidade do futuro, não serão as aulas o mais importante, porque isso os alunos poderão tê-las onde quiserem e quando quiserem, mas a certificação do conhecimento e esta vai ser objeto de várias barreiras devido ao nosso apego pelo modelo clássico de avaliação presencial.

 

  • Considera que os professores são os principais responsáveis pela incorporação e uso de novas tecnologias ou implementação de métodos de ensino?

Os professores são uns dos principais responsáveis pela incorporação de novas tecnologias no ensino através de “push” de tecnologias. Os outros responsáveis serão seguramente os alunos porque estes aos utilizarem diariamente tecnologias de informação e comunicação (redes sociais, apps de comunicação) irão obrigar os docentes a acompanhá-los (ou a ficarem para trás). Farão então o “pull” das tecnologias.

 

  • Que medidas de sensibilização são necessárias para que os professores possam aplicar estas novas metodologias?

Penso que as mentalidades mudam com as gerações. Não me parece possível convencer um docente que dá aulas segundo um modelo há 30 anos que mude espontaneamente esse modelo de ensino e obtenha a mesma eficácia. As novas gerações de docentes serão aqueles que irão promover/acompanhar as mudanças tecnológicas.

 

  • Quais são as principais aptidões/competências que o docente do futuro deverá ter, e que não eram necessárias há 20 anos?

Neste momento decorre um projeto de investigação europeu, no qual quer eu próprio, que o Prof. António dos Reis estamos envolvidos que pretende responder a esta mesma questão. Sem lhe querer descrever o projeto, digo-lhe em linhas gerais que passa por os docentes adquirirem competências no uso de ferramentas de edição de áudio, vídeo, apresentações para criação de material didático, interativo ou não, que possa ser colocado em plataformas globalmente acessíveis aos alunos (plataformas de apoio ao ensino, redes sociais, etc.)

 

  • Que mudanças devem ser feitas e em quanto tempo deveriam implementar-se para se evitar um atraso educativo nas novas gerações?

Todas, já. Como isso não é possível, temos de ir sensibilizando os atuais docentes a se deixarem ajudar nas tecnologias para que possam colocar conteúdos em plataformas que possam ser utilizadas pelos alunos. Chamamos a isto “e-missions” e aos que sensibilizam os outros para o uso de novas tecnologias chamamos “e-missionaires”. Mas este caminho é longo e cheio de obstáculos.



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