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Entrevista

Inteligência Artificial: "Estamos ainda longe de ter agentes que possam substituir os seres humanos", diz Prof. Doutora Inês Dutra

      
Inteligência Artificial:

Prof. Doutora Inês Dutra

Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Departamento de Ciências de Computadores

  • Em declarações recentes, Bill Gates e Stephen Hawking alertaram para o facto da evolução da inteligência artificial poder vir a ser um dos principais fatores para a extinção da raça humana. Acredita que isto seja possível? Qual é a sua opinião a este respeito?

Acho que vai depender muito da forma como os seres humanos atuarem perante as novas aplicações "inteligentes". O facto de haver inteligência em algoritmos e máquinas não significa que os resultados destes mesmos algoritmos e máquinas não tenham que ser auditados e conferidos. O que vem acontecendo hoje em dia com as aplicações inteligentes, em alguns setores, é que o ser humano torna-se dependente e deposita total confiança nos resultados, sem sequer medir as consequências dos mesmos. De qualquer maneira, penso que estamos ainda longe de ter agentes que possam substituir os seres humanos. Do ponto de vista do que é comumente chamado de IA forte, ainda há muito a ser descoberto sobre os nossos próprios modelos de raciocínio e comportamento, de forma que criação de um ser a nossa semelhança torna-se atualmente muito distante. Do ponto de vista da IA como agente racional (algoritmos inteligentes para resolver tarefas específicas), há muitos avanços em quase todas as áreas da IA.

  • Que benefícios é que a inteligência artificial aporta aos seres humanos? Exemplos

- agilidade na realização de tarefas repetitivas (por exemplo, buscas na internet que podem ser realizadas por "softbots", organização de bibliografia, traduções automáticas, descoberta de novos conhecimentos e padrões, eletrodomésticos inteligentes etc)
- auxílio ao deficiente (por exemplo, bengala inteligente, GPS inteligente, óculos inteligentes, veículos auto-guiadosetc)
- auxílio ao diagnóstico (por exemplo, algoritmos de aprendizagem de máquina que conseguem gerar classificadores automáticos de doenças)
- auxílio aos pacientes (por exemplo, sistemas de saúde centrados no paciente, sensores medidores de tensão, medidores de níveis de açúcar no sangue, doadores de medicações, "vestíveis" (wearables), etc.)
- "vestíveis" que conseguem medir níveis de estresse (por exemplo, "lifejacket" desenvolvida na própria UP que consegue medir níveis de estresse dos bombeiros, sapatilhas que medem o humor do seu dono, etc.)

  • Quais seriam algumas consequências do desenvolvimento deste tipo de tecnologias? Exemplos

- Positivas: aumento da produtividade, eficiência, melhoramento de serviços de saúde, auxílio à vida dos deficientes e idosos.
- Negativas: dependência tecnológica, confiança excessiva nos algoritmos e máquinas, poder da IA, falta de segurança, escasseamento de profissionais humanos especialistas nas áreas dos sistemas de IA.

  • Em que área(s) se está a focar atualmente a inteligência artificial? Existe alguma prioridade?

- robótica
- aprendizagem de máquina
- wearables e smartapplications

 

  • Se imaginarmos a sociedade dentro de 10 anos, que papel estaria a ser desempenhada pela inteligência artificial?

Mais uma vez, dependerá da reação da sociedade, em geral. Mas vejo dentro de 10 anos, veículos auto-guiados com bastante mais autonomia e eficiência, cidades inteligentes, casas totalmente inteligentes, melhor qualidade de vida para idosos e pacientes de doenças que necessitam de monitoração, etc. Não vejo ainda, dentro de 10 anos, o conceito de IA forte ou nada parecido com Ultron. Além disto, estas mudanças muito provavelmente vão acontecer somente nas sociedades mais desenvolvidas. Ou seja, ainda teremos que ver passar vários períodos de 10 anos para que tenhamos mudanças muito significativas.



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