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Como motivar os alunos: básico, secundário, e universitário

      
como motivar os alunos
Independentemente da disciplina ou região em que estuda, qualquer aluno precisa de motivação para ter sucesso.

Aliar a matemática à música clássica, não ser complacente consigo mesmo, aulas no exterior, ou aplicar a psicologia de B.W. Skinner que descreve o método de associação de uma ação a uma recompensa são apenas algumas das sugestões que vai poder conhecer em detalhe nas sugestões abaixo. Não se trata de todo de oferecer um amendoim por um exercício certo, mas de encorajar os estudantes sempre que se mostrarem esforçados. 


Reconheça os méritos e progressos dos seus alunos para que continuem a ambicionar chegar sempre mais longe independentemente da área, disciplina ou região em que estudem. Qualquer aluno precisa de motivação para ser bem-sucedido academicamente. E além dos fatores pessoais e profissionais, os estudantes também devem podem contar com o papel que o educador desempenha nas suas rotinas escolares para encontrar maior determinação no seu trabalho.


1. Ofereça um sentimento de controlo


A orientação de um professor é muito importante para que os objetivos de cada aula sejam cumpridos. Mesmo assim, os estudantes devem ter liberdade e algum controlo da sua rotina para que não sintam a escola como uma prisão. Tais restrições apenas afastam os alunos do prazer da aprendizagem e dos seus benefícios.


Pro-tip:Tem uma tarefa mais maçadora que já sabe que vai dar aso a um coro de suspiros profundos? Ofereça uma escolha inócua. Por exemplo: “Meus caros, hoje temos X exercícios de matemática para fazer. Preferem fazer em silêncio ou continuamos a ouvir o reportório de Stradivarius?”*


2. Defina os objetivos


No fundo, nunca ninguém chega a saber muito bem o que poderá ter levado o Pedro a ir comprar 79 melancias ao supermercado, ou porque em vez de saber quase telecomandar um vaivém através de uma calculadora nunca se aprendeu a tratar do IRS. Não saber quais são os objetivos de determinada tarefa ou do conteúdo ensinado é uma fonte de frustração para os estudantes. Procure informar os seus alunos sobre a utilidade das teorias e dos trabalhos que realizam irá ajudá-los a entender que as notas não são a única coisa importante nos estudos.


Pro-tip:Seja concreto e puxe pela criatividade: “É verdade que talvez nunca tenham necessidade de revisitar as nossas aulas de Geometria Descritiva na vossa vida profissional, mas a plasticidade que o vosso cérebro adquire ao treinarem o raciocínio mental é um investimento futuro - e é isso que eu gostava que percebessem. Por exemplo, na dança contemporânea um bailarino trabalha acima de tudo com vetores espaciais nas composição das suas coreografias. Sabiam isso?”


3. Liberte o ambiente de ameaças


Ninguém consegue realmente aprender se o que motiva é o medo. É claro que é necessário entender que cada ação é seguida da sua respetiva consequência, mas isso não significa que se deva procurar controlar os alunos através de ameaças.


Pro-tip: Não seja complacente consigo próprio. Em vez de ameaças, defina limites:

“Estás aqui estás a ir para a rua, esse comportamento é absolutamente inaceitável” ?

“ [Carlos],  há limites. A próxima dessas vou ter de te pedir que saias” - caso o comportamento                                                                         se volte a repetir: “[Carlos], estás a precisar de apanhar ar. Sai se faz favor.” ?


4. Mudar o cenário


A sala de aula é um bom ambiente para o ensino e a aprendizagem, mas a educação não deve ficar presa apenas aos muros das instituições. Passeios educativos ou até mesmo a troca de salas podem ajudar os estudantes sentirem-se mais focados.


Pro-tip: O nosso cérebro responde positivamente a informações novas, principalmente a estímulos visuais. De vez em quando, porque não dar uma aula com uma dinâmica mais interativa no pátio da escola numa bonita manhã de primavera? Se está preocupado com a logística, não há problema, simplesmente peça a cada aluno para levar uma cadeira e certifique-se de ficar à sombra.


5. Ofereça experiências variadas


Não há apenas uma maneira de aprender, seja qual for a matéria. Os alunos irão interessar-se por determinado conteúdo na medida em que forem estimulados por ele. Na busca pela melhor metodologia para cada estudante, procure oferecer diferentes experiências educacionais.


Pro-tip:Hoje em dia, variadíssimos canais do youtube oferecem vídeos que explicam a matéria de maneira perceptível e interessante. Cativar os alunos ao introduzir o tema no início da aula com um vídeo de 5 a 10 minutos pode fazer toda a diferença. Já espreitou esta TedEd de 5 minutos a explicar o conceito de entropia?


6. Ofereça recompensas


Todos gostam de presentes. Oferecer aos alunos algo que seja de seu interesse irá ajudá-los a serem mais esforçados e a encontrarem motivação para se concentrarem nos estudos com diligência.


Pro-tip:Não ofereça nada mais do que um postal com um meme personalizado, e faça regra de distribuir apenas 1 por teste, tendo em conta que não tem de ser sempre nem sempre pelo mesmo motivo. Por exemplo, pode oferecer 1 postal ao único aluno que leu a questão X com atenção e percebeu a pergunta. Mais nesta perspetiva.


Pro-tip 2:Se a média da turma subir consideravelmente, ofereça-lhes um poster para terem na sala onde têm as suas aulas.


8. Fazer com que se sintam responsáveis


Muito do desinteresse dos estudantes pode estar relacionado com a falta de responsabilidade que estes sentem em relação aos seus estudos e ao futuro profissional que terão para si de acordo com os esforços académicos.


Pro-tip: Fale-lhes de números. De preferência, números alcançáveis que falem a 1 ponto acima da média. Por exemplo, se a média da turma é de 13, pesquise 3 universidades europeias com o programa Erasmus com média de 14 para as quais eles possam candidatar-se. 


9. Permita que trabalhem juntos


O trabalho em equipa imprime maior movimento, interação e dinâmica ao trabalho dos estudantes.


Pro-tip: Eventualmente será mais trabalhoso, mas o ideal será que os alunos se dividam em grupos de 3 para tarefas de grupo fora de aula, e grupos de 2 para tarefas na sala de aula. 


10. Reconheça os méritos


De nada adianta os alunos se esforçarem se a dedicação não for reconhecida pelos professores. A frustração e a falta de incentivo rapidamente tomarão controlo daquilo que conquistaram até o momento.


Pro-tip: Quando um aluno tiver um desempenho merecedor de destaque, não se coíba em fazê-lo saber. Não o faça com um postal, será mais impactante largar oportunamente um inesperado: “Estou muito contente com o teu trabalho. Esta matéria tem muitas nuances, mas gosto de ver que te esforças. Não percas isso, é das melhores qualidades que se pode ter. Qualquer dúvida chama-me.”


11. Encorajar a reflexão


Os estudantes desejam alcançar os seus objetivos académicos, mas a maioria não sabe como alcançar os melhores resultados. Pode ajudá-los nesta descoberta ao encorajar a reflexão e a análise pessoal das suas características e estilo de estudo.


Pro-tip: Diga-lhes para fazerem uma agenda de estudo realista, e na 2ª feira seguinte contabilizarem de facto quantas horas estudaram fora da sala. Pode ser muito esclarecedor para o próprio. Será que dorme horas a menos (ou a mais) sistematicamente? Este é tipo de perguntas que deverão colocar a si próprios quando tiver lugar essa reflexão.


14. Conheça os interesses de cada um


Conhecer pelo menos um interesse de cada estudante, por exemplo, um gosta de fotografia, outro de futebol e outro de moda, também é uma excelente maneira de encontrar relações com o que é abordado em sala de aula e chamar atenção para o que poderia incentivá-los de maneira mais personalizada.


Pro-tip: Não tem que se restringir apenas aos gostos ou aspirações profissionais dos seus alunos, pode tentar diversificar a dinâmica utilizando algo que lhe ocorra e em que os consiga rever futuramente: “A tua criatividade leva-me a pensar que temos o futuro assegurado para o cinema português.”


16. Ajude-os a controlar a ansiedade


Muitos alunos deixam-se controlar pelo medo e pela ansiedade em provas ou outros desafios académicos e acabam por desistir mesmo antes de tentar. Ajudá-los a administrar essas emoções é necessário para que se possam desenvolver.


Pro-tip: Na primeira segunda-feira de cada mês, implemente os 15 minutos para respirar. Todos fecham os olhos, sentados com a coluna direita na cadeira e as mãos sobre o colo. Inspiram profundamente pelo nariz, e expiram lentamente pela boca. Uma espécie de semi-ioga adaptado para a sala de aula, mas o mero ato de oxigenar as céluluas cerebrais e estar 15 minutos em silêncio de olhos fechados vai ajudá-los a relaxar. 


17. Determine metas altas, mas alcançáveis


Não incentivar os seus alunos a fazer o mínimo é o mesmo que deixá-los desistir. É importante que eles se sintam desafiados, mas ainda assim saibam que o objetivo pode ser alcançado com dedicação.


Pro-tip: Dê 1 exercício de trabalho de casa em pares. Ou seja, para cada 2 alunos, dê 1 exercício. Faça a selecção de maneira aos que tenham mais facilidade ficarem com os que têm menos. Avise-os que pode perguntar como chegaram ao resultado. Quando escolher aleatoriamente 1 ou 2 alunos para perguntar, mesmo que o aluno não saiba explicar exatamente como chegou ao resultado, mas se mostre esforçado em tentar: não o julgue. Diga apenas “Hum...Ok.” e siga com a aula. 


*Está provado que a ouvir música clássica ajuda a estimular a concentração.


Como motivar os alunos: no ensino secundário


A tendência é que alunos mais motivados tenham melhor rendimento escolar do que os que realizam as atividades forçadamente. No entanto, é essencial que os estudantes nutram essa motivação para manterem o nível de resultados. Alguns pontos para que esse processo passe pela iniciativa do próprio aluno e que tenha continuidade são a autonomia, competência, conexão, e relevância.


O que se mantém:


Há coisas que pode manter: a música clássica, as respirações das primeiras segundas-feiras do mês, o encorajamento pelo esforço e os louvores individualizados quando algum desempenho for digno de nota. Sem esquecer que, talvez principalmente no secundário, é a altura ideal para sugerir médias alcançáveis de universidades Erasmus que lhe pareçam apelativas para os desejos profissionais e pessoais dos seus alunos.


O que muda:


No ensino secundário, a coisa muda ligeiramente de figura, e por isso as estratégias deverão ser adaptadas. A premissa de base é que os estudantes deverão começar a ser tratados como jovens adultos, porque é isso que são. Em termos concretos, nesta fase os alunos deverão sentir-se mais autónomos, ter feedbacks mais objetivos, e caberá ao Professor fazer uma gestão inteligente dos argumentos que usa para motivar os alunos na sua aula. A relação amigável entre aluno e Professor é sempre desejável, mas esta só pode existir se tiver espaço e condições para isso.

Os 5 pontos-chave a ter em conta para motivar os alunos do secundário


1- Autonomia


Os alunos têm que ter liberdade para escolher questões de ordem organizacional, como escolherem os grupos com os quais querem realizar as tarefas, e processual, envolvendo o formato dos trabalhos, por exemplo. 

2 - Escolha cognitiva


Outro ponto é a escolha cognitiva, que tem implicações nas seguintes questões: aprendizagem com base em problemas e como resolvê-los, desenvolvimento de ideias de lições de casa pelos próprios alunos, entre outras.


3- Competência 


É essencial que o aluno tenha feedbacks a respeito dos trabalhos e atividades que realiza na escola. O professor precisa de didática para conversar sobre estratégias positivas e negativas adotadas pelos alunos, a fim de melhorarem cada vez mais.


4- Conexão


Boas relações entre alunos e professor são básicas para o bom rendimento escolar. Para alcançar essa convivência, consulte algumas dicas:


• Interesse-se verdadeiramente pelos alunos, com o objetivo de conhecer características tanto académicas como pessoais.


• Age de maneira amigável com os alunos, para motivá-los a sentirem-se bem na companhia do professor.


• Seja flexível e mantenha o foco em objetivos educacionais previamente traçados.


• Não desista dos alunos. Seja positivo e encoraje-os sempre.


5- Relevância


Não é ideal que o professor se foque em mostrar a importância da disciplina que leciona para a vida do aluno. Aqueles que têm grandes dificuldades podem sentir-se mal por não conseguirem acompanhar as aulas de maneira satisfatória.


É mais interessante que ele mesmo consiga criar conexões e perceber qual a relevância dos conteúdos aprendidos para a sua vida. Desta forma os alunos conseguem entender mais facilmente o que lhe interessa de verdade e podem pensar em opções de carreira a seguir.


Como motivar os alunos: no ensino universitário


Para Carlos Fiolhais, professor catedrático na Universidade de Coimbra, não é o professor que tem que motivar o aluno na universidade. A motivação do aluno na universidade deve ser encontrada internamente e não é da responsabilidade do professor. Existe uma "infantilização do ensino secundário" que é extensível à universidade.


Para este cientista “o saber exige esforço, vontade e atenção do próprio”. Na universidade ou nos politécnicos não é ao professor que cabe a responsabilidade de motivar o aluno. O físico, professor universitário e divulgador de ciência, defende ainda que é necessário estimular a autonomia do estudante universitário, numa entrevista publicada pelo jornal Público.


Esta é uma diferença em relação ao ensino básico ou secundário, em que considera o cientista, os “alunos têm que ser dirigidos”. Quando chegamos ao ensino universitário estamos perante estudantes adultos que já devem ter uma clara noção da responsabilidade.

Como podemos motivar os estudantes para fomentar a investigação?

Outro cientista, Francis Mojica, do Departamento de Fisiologia, Genética e Microbiologia da Universidade de Alicante (Espanha), diz que os estudantes devem ficar felizes por contribuir para a investigação.


Francis Mojica é responsável por uma das mais importantes descobertas deste século, a técnica CRISPR. O investigador participou no IV Encontro Internacional de Reitores Universia 2018 e deixou um repto aos jovens cientistas. Contribuir para o avanço do conhecimento e da sociedade é a maior realização que um investigador pode ter.


Na mensagem que lançou aos jovens cientistas Francis Mojica deixou uma palavra de incentivo sublinhando que "um investigador deve estar satisfeito por contribuir para o conhecimento, mesmo que a pesquisa não tenha aplicação imediata.” O sentimento de realização por contribuir para o avanço da ciência e do mundo deve motivar os estudantes para fomentar a investigação nas universidades.


Aos estudantes que podem tornar-se investigadores nos próximos anos o investigador, que já foi indicado para o Prémio Nobel da Medicina e Química, recomenda "que tenham muito claro" que o caminho é difícil. Mojica deixa ainda outra advertência mesmo que as investigações não sejam tão espetaculares como "procurar a cura o cancro, dar uma solução para o albinismo ou doença de Alzheimer” têm certamente utilidade para a sociedade.


Francis Mojica acredita que o trabalho dos investigadores é valorizado pelos cidadãos e lembra que para ser um bom investigador não é obrigatório ser um aluno de excelência.


Tal como estabelecido pela Declaração de Salamanca, a investigação é mais necessária do que nunca. Por esta razão, é crucial abrir todo o paradigma de investigação à sociedade, formando intercâmbios e contando com a participação dos mais diversos protagonistas sociais.


O microbiologista, investigador e professor da Universidade de Alicante, Francis Mojica, conhecido mundialmente pelas suas pesquisas na área dos genomas, fechou a conferência de encerramento do IV Encontro Internacional da Universia 2018, que decorreu entre 21 e 22 de maio.


Com uma apresentação intitulada "CRISPR revolução científica. Uma ode à curiosidade", Mojica assinalou o final de dois dias de um encontro que em Salamanca reuniu mais de 600 reitores e representantes académicos de todo o mundo, personalidades da política, empresas e instituições nacionais e internacionais para o VIII Centenário da Universidade de Salamanca.

Uma investigação revolucionária

Para além de ter apelado para a importância da pesquisa nas universidades e para o trabalho essencial de todos os professores que "não aparecem nos noticiários", Mojica resumiu os marcos alcançados pela investigação que tem vindo a desenvolver. O CRISPR é um sistema de imunidade em que as bactérias apresentam um escudo contra os vírus que ameaçam sua destruição.


Esta tecnologia molecular revolucionou a ciência. O sistema desenvolvido por Mojica abriu a possibilidade de editar e reescrever a informação genética em qualquer nível de um organismo vivo: plantas, bactérias, animais... e seres humanos. Esta tecnologia molecular que revolucionou de tal modo a ciência que permite editar o genoma humano a partir da sua forma mais primária: um embrião.


No encontro de Salamanca, Mojica referiu-se à possibilidade de que órgãos de porcos possam ser utilizados para transplante em humanos de modo a prevenir e curar muitas doenças. O investigador defendeu também a necessidade de um consenso para decidir o que pode ser feito com a CRISPR e que limites devem ser estabelecidos para o benefício da sociedade.


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