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Domingo Docampo recorre à metodologia do Ranking de Shanghai para classificar as universidades Ibero-americanas

      
Domingo Docampo, catedrático do departo de Teoria da Sinal e Comunicações na Universidade de Vigo
Domingo Docampo, catedrático do departo de Teoria da Sinal e Comunicações na Universidade de Vigo

 

Em 2006, o professor Domingo Docampo começou a analisar a metodologia do Ranking de Shanghai e em 2012 elaborou um relatório que seguindo dita metodologia, classificava todas as universidades espanholas, permitindo assim saber que posição ocupam as universidades espanholas que não aparecem no Ranking de Shanghai.
 
Dando continuidade aos seus estudos anteriores, este ano, Domingo Docampo publicou um segundo relatório que contém a versão ampliada da metodologia do Ranking de Shanghai. Nesta ocasião o estudo foi aplicado às universidades ibero-americanas, incluindo a prática das universidades na sua totalidade (400) com produção científica de âmbito internacional.

1. Para aqueles que não o conheçam, poderia explicar-nos brevemente o que é o Ranking de Shanghai?
Trata-se de uma classificação de universidades de investigação levada a cabo anualmente pela Universidade Shanghai Jiao Tong. Utiliza cinco indicadores que medem a produção científica em quantidade e qualidade, o número de investigadores com elevado nível de citações e os antigos alunos ou professores que receberam o Prémio Nobel ou a Medalha Field’s, o equivalente em Matemáticas. Há um sexto indicador composto que agrega os anteriores e que os pondera pelo número de professores da instituição a tempo inteiro. Finalmente, os seis indicadores agregam-se e é atribuída uma pontuação numérica final em função da melhor instituição, que recebe 100 pontos.

2. No ano passado realizou um relatório sobre a classificação das universidades espanholas na edição 2012 do Shanghai Jiao Tong Academic Ranking of World Universities e este ano foi elaborada uma classificação das universidades latino-americanas. Podia explicar-nos brevemente em que consiste este relatório?
O Academic Ranking of World Universities (ARWU) classifica um total de até 500 universidades; entre elas há apenas 24 de Espanha, Portugal e da América Latina. As universidades que não aparecem entre as 500 desconhecem qual teria sido a sua pontuação, daí ter feito um ranking com mais instituições. Até ao ano passado desconhecia-se o mecanismo de atribuição e ponderação do ranking, devido à ambiguidade da metodologia exposta pelos seus autores na rede. Um dos meus trabalhos desentranhou os mecanismos do ranking e permite-me agora classificar qualquer universidade segundo os parâmetros do ranking de Shanghai. Utilizando os resultados deste Ranking podemos classificar as universidades que não aparecem entre as 500 de Shanghai.

3. Este relatório apresenta uma visão exaustiva do panorama da Educação Superior nos países ibero-americanos tendo em conta o nível de excelência das universidades. Classificaram-se 400 universidades de Espanha, Portugal, América Latina e o Caribe, que universidades ocupam as primeiras posições deste ranking e porquê?
No ano passado tínhamos incluído no relatório um total de 200 instituições; este ano fez-se um esforço para conseguir abarcar o espectro completo da educação superior nos países de língua espanhola e portuguesa, e chegamos a classificar até 400 instituições. Classificamos as 200 primeiras com sua pontuação precisa, e entre a 200 e a 400 agrupamos alfabeticamente instituições em blocos de 50, como também faz o ranking de Shanghai a partir da posição 100. Logicamente que as universidades que ocupam as primeiras 24 posições são as que aparecem na edição de ARWU 2013. Entre elas destacam-se as de maior tamanho, dado que o ranking apenas atribui uma ponderação mínima à prestação investigadora per capita. Assim, vemos que a primeira universidade, São Paulo, é também uma das maiores, junto com a UNAM, a segunda, e Buenos Aires, a terceira. As universidades espanholas ocupam 10 das 24 posições de topo, o que corresponde com nossa tradição científica e riqueza.

4. No Ranking ARWU 2013, observamos que aparecem 24 universidades ibero-americanas. Neste ranking as cinco últimas universidades ibero-americanas que aparecem são a Universidade Técnica de Lisboa, Universidade de Chile, Universidade de Coimbra, Universidade do País Basco e em último lugar a Universidade de Saragoça. Esta classificação deveria coincidir com as universidades que aparecem nos primeiros postos na classificação de universidades ibero-americanas que você nos apresenta, mas não assim, poderia explicar-nos a que se deve isto?
Como se indicou anteriormente, o ARWU indica apenas a pontuação numérica das primeiras 100 universidades, as restantes aparecem em grupos de 50 ou de 100 ordenadas alfabeticamente. As instituições a que se refere na pergunta aparecem no intervalo 400-500 por ordem alfabética. No relatório apresentam-se com uma pontuação numérica precisa, pelo que a classificação é diferente da alfabética. Na edição 2013 as universidades de Granada e Pompeu Fabra subiram um lugar, passaram do grupo 400-500 ao 300-400, devido à melhoria da sua produtividade científica. A Universidade do País Basco foi injustamente movida para o grupo 400-500 porque a sua pontuação no indicador de publicações em Science e Nature está mal calculado.


5. A última coluna da classificação mostra a variação de postos no ranking em relação ao 2012. A Universidade Nacional Maior de San Marcos, a Universidade de Costa Rica ou a Universidade Rei Juan Carlos ascenderam consideravelmente no ranking, mas outras como a Universidade de Évora, a Universidade do Vale ou a Universidade Federal de Alagoas desceram, a que se devem estas variações tão grandes?
Em primeiro lugar há que assinalar que depois da publicação do trabalho mencionado anteriormente fizemos notar que tal como para os professores apenas se tem em conta os prémios Nobel nas Ciências, para os antigos alunos contam também os outros prémios (Literatura e da Paz). Os casos da Maior de San Marcos e Costa Rica têm que ver com a pontuação que deriva de dois prémios Nobel: Mario Vargas Llosa, titulado de San Marcos e Prémio Nobel de Literatura em 2010 e Óscar Arias Sánchez, titulado de Costa Rica e Prémio Nobel da Paz em 1987. Os outros casos têm que ver com os méritos nas publicações de qualidade nas revistas Science e Nature. Este indicador tem uma janela temporária de cinco anos, os imediatamente anteriores à edição do ranking. Uma subida indica que no ano anterior os professores da universidade publicaram nas ditas revistas (Rei Juan Carlos). Uma descida indica que as universidades tinham publicações nos seis anos anteriores do ranking, e que este ano desapareceram da janela temporária de cálculo.

6. Em 2012 previu a posição das universidades espanholas no Ranking de Shanghai, agora realizou um novo relatório sobre a classificação das universidades ibero-americanas seguindo a metodologia do ARWU, Qual é seu desafio seguinte?
Parte de minha investigação centra-se na análise de sistemas universitários utilizando parâmetros de referência internacional. Iniciei recentemente uma cooperação com um colega da Australian National University que já começou a dar os seus frutos, e do qual espero saiam resultados interessantes que nos ajudem a pôr em perspectiva os dados que nos oferecem os rankings universitários

7. Para os interessados em ver o seu relatório completo, pode indicar-nos onde podem aceder ao relatório completo?
https://www.researchgate.net/publication/256373968_400universidadesibero-americanasa aluzdorankingdeShanghai_
edicin_2013)?ev=prfpub


Há anos que mantenho uma cooperação com o grupo EC3 de Avaliação da Ciência e da Comunicação Científica centrado na Universidade de Granada, ao qual pertencem também membros de outras universidades. Na web Rankings I-UGR  incluiu-se uma secção na qual se reúne o relatório completo sobre as universidades ibero-americanas à luz do ranking de Shanghai. O endereço web é o seguinte: http://sci2s.ugr.é/rankinguniversidades/shanghai.php

Por outro lado, quem estiver interessado na complexidade do cálculo de indicadores do ranking, pode consultar o seguinte artigo:

Docampo, D. , "Reproducibility of the Shanghai academic ranking of world universities results". Scientometrics, 2013, 94(2) 567-587. 
(https://www.researchgate.net/publication/221670159_#ReproducibilityoftheShanghaiacademicranking_
ofworlduniversitiesresults?ev=prfpub
)

Outros dois trabalhos que podem interessar aos leitores desta notícia referem-se à utilização do ARWU para classificar sistemas universitários, e para analisar a prestação adicionada por Comunidades Autónomas dentro de Espanha:

Docampo, D “. On using the Shanghai ranking to assess the research performance of university systems”. Scientometrics, 2011, 86(1): 77-92
. (https://www.researchgate.net/publication/216807851_#OnusingtheShanghairankingtoassesstheresearchperformance
ofuniversitysystems?ev=prfpub
)

D. Docampo, F. Herrera, T. Luque-Martinez e D.Torres-Salinas, “Aggregate ranking of Spain's universities in the Shanghai Ranking (ARWU): Effect on autonomous communities and campuses of international excellence”. O profissional da informação, 2012, 21(4): 428-432. (http://www.elprofesionaldelainformacion.com/contidos/2012/julho/16.pdf)

Finalmente, podem também estar interessados nos trabalhos que comecei com meu colega Lawrence Cram. O seguinte artigo foi aceito pela revista Scientometrics:

Docampo D. , Cram L., “On the internal dynamics of the Shanghai ranking”. (http://www.researchgate.net/publication/253649645_#Onthe_#Internal_#DynamicsoftheShanghaiRanking/file/5046351fa176111d54.pdf)


Biografia: Domingo Docampo é doutor em Matemáticas pela Universidade de Santiago, catedrático do Departamento de Teoria do Sinal e Comunicações na Universidade de Vigo, instituição da qual foi Reitor de 1998 a 2006. Foi diretor do Departamento de Tecnologias das Comunicações de 1991 a 1996 e da ETS de Engenheiros de Telecomunicação de 1988 a 1990. Fez ainda parte da Conferência de Reitores das Universidades Espanholas (CRUE) como vogal e  como Presidente de sua comissão setorial de I+D e de seu Grupo de Convergência Europeia. Desde maio de 2011 é o Delegado do reitor para o Campus Digital, dentro do Campus do Mar.

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