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Investigadora portuguesa ganha prémio da Federação Internacional da Diabetes - Europa

      
Fonte: Federação Internacional da Diabetes
Fonte: Federação Internacional da Diabetes

A APDP é a associação de doentes diabéticos mais antiga do mundo e o CEDOC é o mais recente instituto de investigação com sede em Lisboa no campus de Santana. O prémio foi entregue nas cerimónias do Dia Mundial da Diabetes que decorreu no Parlamento Europeu em Bruxelas no dia 5 de Novembro de 2014. A atribuição do prémio reconheceu a excelência da investigação científica na área da Biologia celular e molecular aplicada à Diabetes, especificamente no estudo de novos mecanismos de regulação da glicose pós-prandial (após uma refeição) e sensibilidade à insulina.

 

Joana Gaspar integra projetos de medicina translacional, que envolvem a colaboração entre o CEDOC e a APDP, explicando que “o nosso principal objetivo é descobrir novos fatores fisiológicos que aumentem a sensibilidade à insulina, de modo a prevenir e superar a resistência inicial à insulina que está associada ao desenvolvimento da diabetes tipo 2”.

 

A equipa de investigação de que faz parte Joana Gaspar está focada a estudar os sinais induzidos pela alimentação que aumentam a sensibilidade à insulina como resposta à ingestão de determinados nutrientes. O fígado é um dos órgãos chave que integra estes sinais alimentares, permitindo uma melhor sensibilidade à insulina por parte de outros órgãos, como é o caso do músculo esqueléticos, coração e rins. Estudos recentes indicam que a insulina é captada e metabolizada pelo fígado levando à produção de novas moléculas que aumentam a sensibilidade à insulina, contribuindo para uma regulação mais eficaz dos níveis de glicose após as refeições.

 

“Estamos a investigar os sinais alimentares em irmãos de pessoas com diabetes tipo 2, uma vez que são um importante grupo de risco para desenvolver a doença. Ao percebermos como é que estes sinais atuam pode-se desenvolver novos tratamentos que irão ajudar a prevenir a progressão da diabetes tipo 2”, esclarece a investigadora.

 

Desde o início da sua carreira que Joana Gaspar se interessa por compreender as complexidades da diabetes e suas complicações associadas. “A diabetes é a doença crónica mais comum, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, 1 em cada 10 adultos tem diabetes”, refere a investigadora. Acrescenta ainda que “o que é muito alarmante é que cerca de metade das pessoas com diabetes ainda não foi diagnosticada. Apesar da intensa investigação para compreender esta doença, ainda existe um longo caminho a percorrer no estudo da diabetes, que continua uma doença sem cura. Assim a mais pequena descoberta poderá ter um enorme impacto na vida destas pessoas, especialmente por ser uma doença silenciosa, com inúmeros fatores e que afeta todos os órgãos”.

 

“É uma honra para mim receber este prémio. Mais do que o reconhecimento do meu trabalho, é o reconhecimento do empenho de todas as pessoas que trabalham comigo e que tornam possível estas descobertas. É isto que nos motiva a fazer mais para compreender a Diabetes, melhorar a vida das pessoas que vivem nesta condição e, finalmente, ajudar a encontrar a cura para esta doença.”, remata Joana Gaspar.

 

O prémio atribuído a Joana Gaspar durante as cerimónias no Parlamento Europeu foi entregue pelo Dr. João Nabais, Presidente da IDF- Europa. A investigadora recebeu um cheque de 10.000,00 euros que será doado a uma instituição à sua escolha.


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