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As principais saídas profissionais na área da Arqueologia em Portugal

      
arqueologia curso
O objetivo é compreender como é que os nossos antepassados viviam as suas vidas.  |  Fonte: iStock
Enquanto campo multidisciplinar, a Arqueologia apoia-se em diversas áreas do conhecimento, como a Antropologia, a História, a Sociologia, a Geografia, a Biologia, a Química, entre outras.

A Arqueologia é de extrema importância para o avanço do estudo das nossas sociedades passadas e atuais. Os arqueólogos procuram padrões na evolução de eventos culturais significativos, como o desenvolvimento da agricultura, o surgimento de cidades ou o colapso de grandes civilizações, em busca de pistas sobre o porquê desses eventos terem ocorrido. Em Portugal, há pelo menos 5 universidades que oferecem cursos de licenciatura na área da Arqueologia. A maioria requer provas de ingresso como a Filosofia, o Português ou a História. Também é possível candidatar-se com outras provas, como a Geografia. Já para as pós-graduações e/ou mestrados, as universidades dão preferência a licenciados em Arqueologia ou áreas afins, mas também é comum aceitarem candidatos com experiência profissional relevante. 

 

O que esperar de uma formação de base em Arqueologia?

Qualquer estudante que opte por uma formação de base em Arqueologia deverá esperar adquirir os conhecimentos teóricos e práticos que lhe permita desempenhar diferentes tarefas ao nível da defesa, proteção e reabilitação do Património Cultural e Arqueológico. Nomeadamente, nas vertentes da pesquisa e investigação científica, da sua gestão e salvaguarda; desde a realização de escavações, à preservação e catalogação do material encontrado, por exemplo. No geral, este tipo de formação pretende habilitar os futuros profissionais no desempenho de trabalhos arqueológicos, devidamente enquadrados em equipas dirigidas por arqueólogos de formação superior, participando ativamente nas rotinas do trabalho de campo, nas tarefas de registo, inventário e produção de relatórios. 

O objetivo é fornecer uma formação que permita a realização de tarefas básicas de identificação e caracterização de ocorrências arqueológicas, sustentada num conhecimento genérico de sítios e artefactos, bem como da sua inserção no espaço e no tempo. Assim, os futuros profissionais nesta área deverão ser proficientes na utilização de conceitos, ferramentas e metodologias necessárias para o pleno desenvolto do exercício profissional nas diferentes vertentes da Arqueologia. De entre o leque de competências genéricas desejadas, destacam-se a capacidade de:

  • Lidar com informação complexa e contraditória, sobretudo no que respeita a temas de natureza arqueológica, histórica, antropológica e patrimonial;

  • Analisar e sintetizar a informação disponível sobre um tema, exprimindo-o de forma oral ou escrita;

  • Ter consciência crítica sobre o papel e o lugar do Homem no mundo em geral, e sobre o papel social da Arqueologia em particular;

  • Compreender pontos de vista resultantes de diferentes antecedentes históricos, em distintos contextos culturais e geográficos, na interpretação da sua cultura material;

  • Possuir um conhecimento geral da cultura material dos diferentes períodos da História de Portugal;

  • Desenvolver uma noção clara da evolução dos diferentes paradigmas científicos que estiveram subjacentes à produção do saber em Arqueologia;

  • Dominar os instrumentos concetuais e metodológicos fundamentais para a prática da investigação arqueológica nas suas diversas valências, bem como da publicação dos respetivos resultados;

  • Adquirir experiência na manipulação, interpretação e contextualização de testemunhos arqueológicos através da integração em equipas multidisciplinares;

  • Adquirir uma noção clara da variabilidade regional dos vestígios arqueológicos e do seu significado.

 

Quais as principais saídas profissionais na área da Arqueologia?

Dependendo do percurso académico, do curso e/ou instituição que decidir frequentar para obter a sua formação, poderá ficar mais ou menos especializado num determinado domínio da Arqueologia. Em relação à situação em Portugal, infelizmente o financiamento para projetos de investigação científica nesta área é muito limitado aos centros de investigação das universidades que oferecem este tipo de cursos. Contam-se pelos dedos das mãos os projetos de relevo a serem desenvolvidos atualmente, dirigidos por arqueólogos de formação superior com um extenso currículo, através sobretudo do financiamento público do estado ou da União Europeia

Fora desse grupo restrito de projetos e arqueólogos, a maior parte da Arqueologia realizada em Portugal é dirigida por pequenas equipas ou empresas. Por exemplo, ao nível da Arqueologia de Emergência ou de Intervenção, que é obrigatória por lei e essencial no estudo do impacto ambiental. Isto é, quando essas equipas e empresas são contratadas para fazer um rastreio do solo e subsolo, demonstrando que o local onde determinado empreendimento será construído não tem vestígios arqueológicos que suscitem a conversão do terreno numa área do interesse do domínio publico, impedindo que a obra avance. 

De entre as várias saídas profissionais possíveis na área da Arqueologia, destacam-se:

  • Projetos de investigação arqueológica, de conservação, intervenção e reabilitação patrimonial, financiados por centros e instituições de ensino superior;

  • Projetos de consultadoria financiados por empresas na área da Arqueologia, do Ambiente, do Património e da Cultura;

  • Docência ou ensino em instituições de ensino superior, escolas secundárias, ou centros de formação profissional;

  • Consultadoria na área da Programação, Animação e Gestão Cultural, por exemplo ao nível do desenvolvimento de produtos e da produção de conteúdos criativos;

  • Consultadoria na área do Arqueoturismo, por exemplo ao nível da criação de roteiros, da produção de conteúdos informativos, ou ainda de trabalhos como guia turístico em locais arqueológicos;

  • Gestão de museus (nacionais, municipais ou outros, públicos e privados);

  • Organismos autárquicos (Divisões de Património, Gabinetes de Arqueologia, de Gestão do Teritório, de Arquitectura, etc.);

  • Organismos tutelares do património (Direção Geral do Património Cultural, Ministério da Cultura, etc.);

  • Organismos tutelares dos bens culturais da igreja (Secretariado Nacional e Dioceses);

  • Empresas de estudos de impacto ambiental, da gestão do território, da defesa e gestão do património;

  • Serviços culturais de inventariação e preservação de bens culturais, incluindo laboratórios de conservação e restauro patrimonial.

 

Síntese

A Arqueologia é sem dúvida uma ciência de extrema importância para o avanço do estudo das nossas sociedades. Em Portugal, há algumas instituições que oferecem formação de topo nesta área, sendo que as saídas profissionais vão muito para além dos projetos de investigação científica. Os futuros arqueólogos podem vir a trabalhar num leque alargado de outras áreas, desde a Gestão do Património Cultural à Gestão do Território ou do Impacto Ambiental. Se acabaste agora de tirar uma licenciatura em Arqueologia ou pretendes ingressar num plano de estudos nesta área, partilha connosco as tuas experiências e dúvidas nos comentários!


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