text.compare.title

text.compare.empty.header

Notícias

Segurança e privacidade no uso das redes sociais: perigos e estratégias de mitigação

      
uso das redes sociais
Há já algoritmos capazes de utilizar os ‘gostos’ que realizamos nas publicações do facebook para traçar o nosso perfil.  |  Fonte: iStock

Se recuarmos no tempo, verificamos que ao longo da história a espionagem sempre se constituiu numa prioridade de segurança nacional para os mais diversos países em todo o mundo. O que as redes sociais (e a internet) trouxeram foi apenas o contexto propício para tal. Atualmente, na guerra cibernética que se trava à larga escala pelo acesso e proteção de dados, vale praticamente tudo para saber quais os sites ou locais físicos que visitamos, os produtos e serviços que compramos, as mensagens que trocamos, etc.

Em 2013, Edward Snowden publicou uma inúmera quantidade de ficheiros secretos da Agência Nacional de Segurança Norte-Americana (NSA), revelando como através do seu projeto PRISM a agência acessava aos dados da Microsoft, Google, Facebook e Apple. Isso levou a que redes sociais como o Whatsapp encriptassem as mensagens trocadas entre utilizadores, o que não garante que as mesmas não estejam comprometidas antes do seu envio. Sim, porque em 2017 a WikiLeaks vazou provas de como a Agência Central de Inteligência Norte-Americana (CIA) usa falhas nos sistemas operativos iOS e Android para ter acesso direto ao telemóvel de cada utilizador. Mas não acaba por aí; por exemplo, recentemente foi também conhecido que a mesma CIA usava tecnologias smartTV para escutar os utilizadores que se encontravam no recinto a que assistiam televisão. Claro que podemos sempre desligar a ficha da tomada, mas assim deixamos de ver televisão e não é isso que queremos, não é verdade?

O que acontece é que estamos constantemente não só a ser vigiados nas redes sociais (dentro e fora delas), como também a ser influenciados pelas mesmas. Ao usarmos um produto grátis com publicidade, como é a maioria destas plataformas, temos de ter consciência que os nossos dados serão usados para gerar retorno financeiro. Já reparou que quando procuramos comprar um voo através do motor de busca google, de repente todos os anúncios que recebemos no facebook, no twitter ou no instagram são sobre viagens e hóteis? Isto deve-se ao facto de que a nossa informação é trocada com diferentes serviços e empresas que vendem e compram os nossos dados. Ou seja, se não somos o cliente pagante, somos o produto vendido. 

Com o rápido desenvolvimento da Inteligência Artificial, há já algoritmos capazes de utilizar os ‘gostos’ que realizamos nas publicações do facebook para traçar o nosso perfil em termos de, por exemplo, inteligência, extroversão, amabilidade, orientação sexual, religião, postura política, ou mesmo do uso de drogas. Pior, a precisão com que a tecnologia o faz é muitas vezes superior à dos nossos colegas de trabalho, amigos, ou mesmo familiares. Quais são então os maiores perigos relacionados com a segurança e a privacidade no uso das redes sociais? Será que há estratégias de mitigação que podemos adotar para atenuar esses perigos? Neste artigo tentaremos responder a estas duas questões essenciais.

Perigos de segurança e privacidade no uso das redes sociais

O uso das redes sociais oferece inúmeras vantagens aos seus utilizadores, desde o contacto com amigos e familiares que estão geograficamente dispersos, ao acesso a grupos e comunidades com os mesmos interesses que nós. No entanto, todo o serviço tem um preço, e no caso das redes sociais esse preço chama-se segurança e privacidade. De entre os maiores perigos a este nível, destacam-se:

  • Cyberbullying

O cyberbullying consiste na prática da intimidação, humilhação, perseguição e difamação por meio de ambientes virtuais, como as redes sociais. Podem ser consideradas acções de cyberbullying, por exemplo, a exposição de fotografias ou montagens constrangedoras, a divulgação de fotografias íntimas, de críticas à aparência física, à opinião e ao comportamento social de indivíduos. Os agressores neste tipo de situações usam sobretudo perfis falsos, de forma a ocultar a sua sua identidade real, ou simplesmente manifestam-se pelo meio virtual por não terem que encarar a sua vítima pessoalmente.

  • Sexting e Grooming

O sexting presume a troca de mensagens de cunho sexual, podendo ou não conter imagens de nudez das pessoas envolvidas. O sexting pode tornar-se perigoso quando há essa troca de imagens, bastando para isso que a pessoa que as recebeu, ou eventualmente alguém que consiga piratear os dispositivos utilizados, divulgue o respetivo conteúdo. Já o grooming é uma prática realizada onde um adulto se passa por uma criança, a fim de se aproximar dela, ganhar a sua confiança e criar uma conexão emocional para conseguir tirar proveito sexual da mesma.

  • Phishing

O phishing é quando alguém tenta obter acesso a informações pessoais confidenciais, através da manipulação. Geralmente, na forma de um email, de uma mensagem de texto ou de uma publicação nas redes sociais, um ataque de phishing apresenta-se como algo supostamente legítimo. Por exemplo, quando o criminoso se passa por um empregado de algum banco e envia uma mensagem de e-mail para obter detalhes financeiros da vítima. Se a pessoa cai na armadilha, o seu dinheiro pode ser efetivamente roubado. Quando os criminosos não têm um perfil concreto do seu alvo, usam principalmente as redes sociais para recolher as informações necessárias, aproximar-se dessa pessoa, etc.

  • Malware

O malware (ou software malicioso) é desenvolvido com o objetivo de obter acesso aos computadores e aos dados que eles contêm. Depois que o malware se infiltra no computador de um utilizador, ele pode ser usado para roubar informações confidenciais (spyware), extorquir dinheiro (ransomware) ou lucrar com publicidade forçada (adware). As redes sociais são um meio de entrega ideal para os distribuidores de malware. Uma conta comprometida (pela obtenção de passwords por meio de um ataque de phishing, por exemplo), possibilita aos criminosos fazerem-se passar pelo verdadeiro utilizador para distribuir malware a todos os seus contactos.

  • Botnet

Os bots nas redes sociais são contas robot que criam publicações ou seguem automaticamente novas pessoas sempre que um determinado termo é mencionado. Um grande grupo de bots pode formar uma rede conhecida como botnet. As botnet são predominantes nas redes sociais, nomeadamente com o intuíto de roubar dados, enviar spam, ou ainda lançar ataques distribuídos que ajudam os criminosos a obter acesso aos dispositivos dos utilizadores.

Estratégias de mitigação dos perigos de segurança e privacidade no uso das redes sociais

  • Usar passwords seguras, com diferentes combinações para os vários dispositivos e contas que possui; 

  • Usar autenticação de dois fatores ou verificações de redefinição de password para todas as suas contas;

  • Não usar as redes sociais em dispositivos públicos ou, se for o caso, certificar-se que não grava a sua password e que desliga a conta antes de sair; 

  • Desativar o acesso aos dados de geolocalização;

  • Ser cauteloso ao clicar em publicações de desconhecidos, verificando por exemplo se se trata de um domínio seguro, se alguém comentou sobre a informação partilhada, etc.;

  • Evitar publicar informações pessoais que não necessitem de ser partilhadas, como os seus endereços de correio eletrónico, números de telefone, morada, etc.;

  • Nunca fornecer passwords ou números de cartão de crédito;

  • Nunca abrir ou executar anexos com nomes ou extensões duvidosas, independentemente de serem enviados por um amigo;

  • Não aceitar pedidos de amizade ou seguidores sem antes consultar o seu perfil, averiguando se se trata de uma pessoa real ou de um perfil falso;

  • Nunca enviar fotos íntimas para outros utilizadores, contendo nudez parcial ou total, mesmo que se trate do/a seu/sua parceiro/parceira e que confie nessa pessoa;

  • Em caso de exposição de fotos íntimas suas, ou mesmo de agressões que lhe possam causar danos morais, procurar imediatamente fazer queixa junto das autoridades competentes; 

  • Evitar a partilha de informações ou conteúdo relativo a menores (filhos/filhas, irmãos/irmãs), como os locais que habitualmente frequentam juntos (cresce, escola, parque, jardim);

  • Ser responsável por sensibilizar os seus amigos e família para os perigos de segurança e privacidade associados ao uso das redes sociais.

Síntese

Pensar que o uso das redes sociais está sob alçada de empresas que se preocupam em garantir a nossa segurança e privacidade é uma ilusão. São intermináveis os perigos que daí advêm, como o cyberbullying, o sexting, o phishing, entre muitos outros. Apesar disso, há estratégias e princípios essenciais que podemos adotar para minimizar alguns dos riscos associados. Cabe-nos a nós sermos responsáveis quanto ao que publicamos e partilhamos nestes espaços de socialização.


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.