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Saiba quais as competências relacionadas com o trabalho que qualquer recém-licenciado deve apresentar

      
competências relacionadas com o trabalho
Mostrar aos técnicos de recrutamento que sabe fazer planos e organizar-se no seu trabalho fará toda a diferença...  |  Fonte: iStock

Responder a estas perguntas não é tarefa fácil, e nem mesmo as universidades parecem estar preparadas para tal. Como o filósofo Zygmunt Bauman em 2011 afirmou, “[...] a educação (incluindo o ensino superior) enfrenta uma das crises mais profundas e radicais em toda a sua história: uma crise que afecta não apenas os seus hábitos e práticas tradicionais, mas principalmente a sua razão de ser. Espera-se que os educadores preparem hoje os jovens para um mundo que (na sua prática) assume a ideia de ‘estar preparado’ (isto é, com a formação e as competências adequadas, de forma a não ser surpreendido por acontecimentos anormais ou imprevistos) como nula e vazia”.

A revolução tecnológica, com o desenvolvimento da Inteligência Artificial, está a redefinir o mundo do trabalho e o que são consideradas as competências essenciais para o futuro. Desde o Fórum Económico Mundial, à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), passando pela Comissão Europeia; todas estas instituições são peremptórias ao abordar a questão nos seus mais recentes relatórios. Cerca de 50% dos trabalhos estarão em risco de serem substituídos por robôs (nomeadamente os de cariz mais técnico), outros serão transformados e novos serão criados. Como resultado, as competências relacionadas com o trabalho também sofrerão alterações.

Se antes os recém-licenciados garantiam facilmente a sua empregabilidade, atualmente o número de licenciaturas é o dobro ou o triplo de há 10 ou 15 anos. O mercado não tem mais a capacidade para absorver toda esta massa crítica que sai das universidades, sendo cada vez mais competitivo. Por outro lado, a duração de um curso de licenciatura não oferece o tempo necessário para adquirir e desenvolver uma série de competências diferenciais, que vão muito para além das de natureza técnica e cognitivas. Prova disso é o facto de que a maioria dos empregadores parecem ter dificuldades em encontrar candidatos com o perfil de competências que procuram. 

O que se espera dos recém-licenciados é que estes sejam verdadeiros aprendentes ao longo da vida; isto é, que consigam estar em constante desenvolvimento, re-aprendendo novas técnicas e conhecimentos, de forma autónoma e flexível. Assim, e não desvalorizando as competências técnicas, de índole cognitiva, o foco parece estar nas competências que a tecnologia não será capaz de oferecer ou substituir (pelo menos num futuro próximo). São elas as chamadas soft skills, de natureza transversal, comportamental e social. De entre as mesmas, destacam-se 5 que os empregadores a nível mundial consideram fundamentais:

  • Pensamento Crítico

Conhecida por muitos através do famoso ‘Método Socrático’, é talvez hoje a competência mais procurada pelo mercado de trabalho nos recém-licenciados. Não só porque lidamos diariamente com um volume astronómico de opiniões, muitas delas falaciosas, como também sofremos naturalmente de vieses cognitivos e falhas no nosso raciocínio. De uma forma geral, o Pensamento Crítico (PC) pode ser entendido como o acto de pensar razoável e reflexivamente, com foco no que acreditar ou no que fazer. Mais especificamente, envolve a capacidade de interpretar, analisar e avaliar qualquer informação de forma explícita e objetiva, segundo critérios e/ou padrões intelectuais universais - como a clareza, a precisão ou a lógica -, de forma a chegar a um julgamento fundamentado e válido no contexto em que ocorre. Neste sentido, um pensador crítico é alguém capaz de:

  • Identificar problemas e encontrar maneiras práticas de os resolver;

  • Obter informações pertinentes;

  • Perceber e/ou reconstruir crenças, valores e suposições estabelecidas a priori;

  • Compreender e usar a linguagem de forma clara;

  • Interpretar dados, identificar evidências e/ou analisar argumentos;

  • Reconhecer a existência (ou não existência) de relacionamentos lógicos entre proposições;

  • Testar e estabelecer conclusões ou generalizações de forma adequada;

O PC presume não só um conjunto de competências, como a interpretação, a análise, a inferência, a avaliação e a auto-regulação, mas também de disposições, como a mente aberta, a curiosidade e a humildade intelectual. No mercado de trabalho, o PC revela-se fundamental na resolução de problemas e na tomada de decisão, sendo reconhecido como: 1) a capacidade de evitar erros e tomar decisões corretas; 2) a capacidade de corrigir e regular o nosso próprio raciocínio e/ou comportamento; e 3) uma responsabilidade ética, moral e social. O mesmo é valorizado não apenas na medida em que contribui para o sucesso profissional da empresa, mas também para o aprimoramento pessoal e o bem comum. Para treinar este conjunto de competências e disposições, há diferentes estratégias que podemos adotar, nomeadamente:

  • Procurar sempre justificar a nossa opinião - não basta dizer que não gostamos de algo, mas sim dizer porque não gostamos, e dar sugestões para melhorias;

  • Aprender sobre lógica - estudar como os argumentos são construídos, o que são premissas ou inferências;

  • Conhecer diferentes alternativas - seja o que for que estivermos a analisar, devemos procurar sempre por opiniões contrárias, tentando compreender os diferentes lados da questão;

  • Rever as nossas crenças e limitações - procurar identificar as nossas falhas e vieses cognitivos, questionando as crenças que temos como pré-estabelecidas e reconstruindo as mesmas sempre que se justifique;

  • Questionar as diferentes informações - ser cético e procurar sempre questionar a validade ou veracidade das informações, sobretudo quando se tratam de assuntos complexos ou controversos;

  • Procurar o equilíbrio - não optar por análises do “tudo ou nada” ou do “isto ou aquilo”, mas antes ver os pontos fortes e fracos, as vantagens e desvantagens de cada lado da questão; no fundo, um balanço entre perspetivas e/ou opiniões.


  • Criatividade

Enquanto que o PC é entendido como o processo lógico de raciocinar, interpretar, analisar e avaliar informação para realizar um julgamento ou tomar uma decisão informada, já a Criatividade é o processo de abordar os problemas e/ou situações de uma nova perspetiva de forma a criar algo original. As maiores diferenças entre a Criatividade e o PC verificam-se, respetivamente, em quatro níveis:

  • Propósito - a criatividade pretende criar algo novo, o PC pretende avaliar a validade de algo que já existe;

  • Foco - a criatividade foca-se nas possibilidade, o PC foca-se nas probabilidades;

  • Processo - a criatividade é um processo generativo e divergente, o PC é um processo analítico e convergente;

  • Aplicação - a criatividade pode ignorar princípios que são aceites de forma consensual, o PC aplica princípios universais.

Muitas vezes associada à capacidade de empreendedorismo e inovação, a Criatividade é uma competência que pode ser desenvolvida quer por técnicas não estruturadas, como o brainstorming, quer por técnicas estruturadas, como o pensamento lateral. O brainstorming é um processo utilizado para gerar ideias ou soluções únicas através de uma discussão em grupo de forma espontânea. Os participantes são incentivados a pensar em voz alta e a sugerir o maior número de ideias que consigam, mesmo que as mesmas possam parecer ridículas. Já o pensamento lateral, proposto por Edward de Bono, envolve alterar uma sequência padronizada de pensamento para chegar a uma solução de ângulos completamente diferentes. Diferentes estratégias podem se adotadas para o desenvolvimento da Criatividade segundo esta técnica, tais como:

  • Assumir diferentes papéis - o que faríamos se fossemos outra pessoa? Envolve colocar-se no lugar do outro e imaginar o que ele faria na sua situação;

  • Criar mapas mentais - começar com o problema no centro e ramificá-lo para os principais tópicos e/ou subtópicos. Isso ajudará a organizar visualmente as informações e a mostrar relações entre as partes que constituem o todo;

  • Pensar de forma inversa - prever no que todos pensarão habitualmente e fazer exatamente o oposto;

  • Escrever narrativas usando somente palavras-chave - elaborar uma história de seis ou sete palavras sobre o problema em questão, da forma mais simples e imaginativa;

  • Utilizar analogias - as analogias servem para comparar as ideias que aparentemente não têm nada a ver umas com as outras;

  • Fracionar o problema - subdividir o problema em partes menores para o analisar de uma forma mais ampla.


  • Inteligência Emocional

A Inteligência Emocional (IE) não é apenas a capacidade de identificar e gerir as suas próprias emoções, mas também a capacidade de reconhecer as emoções dos outros. Pessoas emocionalmente inteligentes possuem altos níveis de auto-estima e sentem-se confortáveis consigo mesmo. Elas escutam a sua intuição e comunicam eficazmente os seus sentimentos. Cada vez mais valorizada no mercado de trabalho, a IE pode ser desenvolvida através de diferentes estratégias, como:

  • Refletir sobre as emoções negativas - ser capaz de gerir e reduzir as emoções negativas. Se alguém o incomodar, não tire conclusões precipitadas. Em vez disso, olhe para a situação de várias maneiras. Tente ver as coisas objetivamente para não se irritar tão facilmente;

  • Estar atento ao vocabulário - concentre-se em tornar-se um comunicador mais eficaz no local de trabalho. Pessoas emocionalmente inteligentes tendem a usar palavras mais específicas, que podem ajudar a lidar com diferenças ou conflitos de opiniões. Teve uma má reunião com o seu chefe? O que a tornou tão má e o que pode fazer para corrigir a situação numa próxima vez? Como pode comunicá-lo? Quando conseguir identificar o que aconteceu, saberá melhor encontrar a melhor forma de dizê-lo aos seus colegas e, por sua vez, resolvê-lo; 

  • Ser empático - colocar-se no lugar dos seus colegas, procurando perceber os seus pontos de vista e opiniões. A empatia não desculpa comportamentos inaceitáveis, mas ajuda a ganhar consciência dos problemas dos outros e a respeitá-los;

  • Identificar as causas do stress - fazer um balanço das principais causas que estão na origem do seu stress, de forma a ser proativo e a diminuir o mesmo no futuro. Se tiver consciência que verificar o seu e-mail de trabalho antes de dormir o deixará stressado, faça-o apenas pela manhã. Melhor ainda, deixe essa tarefa para quando chegar ao escritório;

  • Ser resiliente - todos encontramos desafios, mas o que nos distingue dos outros é a forma de como reagimos às adversidades. É isso que nos prepara para o sucesso ou nos coloca em crise. Em vez de reclamar e de dramatizar os desafios que enfrenta, pratique o pensamento positivo e seja otimista. Faça perguntas construtivas; Qual a aprendizagem que pode tirar da situação em questão?


  • Comunicação

A Comunicação eficaz é uma competência fundamental em qualquer recém-licenciado, permitindo destacar-se da concorrência. A mesma pode ajudar na gestão de projetos e equipas, no aumento da produtividade, na sintonia entre diferentes colaboradores, na melhoria do clima organizacional, etc. Ou seja, possuir habilidades de Comunicação pode trazer diversos benefícios ás empresas, auxiliando no atendimento aos clientes e permitindo uma conversa mais fluida entre colegas de trabalho.

Sendo uma competência “clássica” procurada nos recém-licenciados, esta é muitas vezes associada à capacidade de persuação. Isto é, a capacidade de fazer alguém agir usando algum tipo de comunicação, apelando à vontade e às emoções das pessoas. Para persuadirmos alguém, devemos procurar conquistar essa pessoa utilizando uma Comunicação assertiva e empática. 

No entanto, será necessário ter em conta dois aspectos fundamentais: a forma e o tipo de linguagem. A forma respeita a maneira de como nos comunicamos, e é importante para conquistar a atenção e a simpatia do recetor. Através da postura corporal, dos gestos e do tom de voz, é possível conseguirmos obter uma maior confiança e credibilidade por parte de quem nos ouve. Por outro lado, a linguagem da comunicação deve adequar-se ao tipo de pessoa que estamos a tentar comunicar. Por exemplo, é diferente falar para um colega de trabalho ou para um cliente, para uma pessoa de idade avançada ou para um jovem. Assim, é crucial que consigamos descodificar linguagens mais técnicas e/ou complexas, simplificando-as e tornando-as acessíveis a qualquer audiência. 

Algumas dicas para adquirirmos e desenvolvermos uma boa capacidade de Comunicação são:

  • Praticar a escuta ativa - ser um bom comunicador implica ser um bom ouvinte. O ato de ouvir ajuda a entender melhor as outras pessoas, permite-nos assumir o lugar do outro e construir relacionamentos. Além disso, é sinal de respeito;

  • Não interromper ou falar em simultâneo com o seu interlocutor - quando assim o fazemos, indica ou que não acreditamos nessa pessoa, ou que o que ela está a dizer é irrelevante;

  • Parafrasear - numa conversa em que precisa de entender exatamente o que o seu interlocutor está a dizer, confirmar por meio de paráfrase é uma técnica eficaz. Além disso,demonstra que está atento;

  • Estabelecer contato visual - muitas pessoas tem o hábito de olhar para baixo ou para os lados quando estão conversando com os outros. Não hesite em manter o contato visual, demonstrando que está focado e atento à conversa;

  • Definir uma meta - ao fazê-lo irá contribuir para diálogos mais focados e rápidos, sem grandes divagações. Dessa forma, fica claro o que se pretende dizer e atingir;

  • Incluir o interlocutor nas soluções - ao invés de dizer que vai fazer determinada coisa, diga antes “nós”. Ou seja, que juntos farão isso. Essa atitude incentiva a outra pessoa a se comprometer. De forma contrária, quando elogiar, não utilize o pronome “nós”, elogie somente a pessoa em questão;

  • Solicitar feedback - essa é talvez a melhor maneira de melhorar a comunicação. Por meio do feedback, é possível saber se os interlocutores estão a compreender bem a mensagem; isto é, se a comunicação está a ser transparente e clara.


  • Literacia Digital

Num mercado de trabalho cada vez mais pautado pelo uso das tecnologias, a Literacia Digital (LD) é também uma competência fundamental para qualquer recém-licenciado. Segundo a Comissão Europeia, a mesma refere-se “às habilidades necessárias para ser proficiente a nível digital, sustentadas por competências básicas no uso da Tecnologias da Informação e Comunicação, com o objetivo de recuperar, avaliar, armazenar, produzir, apresentar e trocar informação, e de comunicar e participar em redes colaborativas via Internet.”. Assim, envolve também ela algumas das competências que analisámos anteriormente, como o PC, a Criatividade e a Comunicação.

Aprofundando o conceito, a LD não se relaciona apenas à avaliação da qualidade (precisão, relevância, confiabilidade e integridade) das informações em contexto digital, de forma a distinguir factos de opiniões. A mesma implica também uma compreensão mais ampla das ideologias e valores subjacentes ao que é produzido digitalmente, e à maneira de como esse mesmo conteúdo chega até ao diferentes utilizadores. Isto é, de que forma as diferentes instituições sociais, económicas, políticas, profissionais e tecnológicas podem moldar o conteúdo digital e a sua forma de distribuição.

Por outro lado, envolve também uma série de capacidades mais técnicas, relacionadas com a produção de conteúdo audiovisual. Nomeadamente, a criação de podcasts, vídeos, apresentações multimedia, etc. Isto é, a capacidade de documentar e partilhar o nosso conhecimento e a nossa perspetiva do mundo. É importante que o mesmo seja feito de forma ética e responsável, respeitando a propriedade intelectual e os direitos dos diferentes autores.

Como estratégias para melhorar a LD, destacam-se:

  • Comparar diferentes fontes de informação - procurar várias fontes sobre o mesmo assunto, de forma a comparar e a avaliar a informação. Usar diferentes motores de busca, repositórios científicos ou sites de referência. Definir critérios para avaliar a informação, como por exemplo a autoridade, a confiabilidade, a atualidade, o rigor, a adequação;

  • Explorar diferentes ferramentas digitais - testar e avaliar diferentes instrumentos que possam ser importantes para o nosso trabalho, desde a criação de apresentações ou de mapas mentais, à organização e partilha de documentos, à edição e escrita colaborativa, à gestão de tarefas, etc.;

  • Colaborar com colegas ou clientes remotamente - utilizar ferramentas de audio e videoconferência para trabalhar em equipa, criar grupos de discussão nas redes sociais, gerir projetos através de aplicativos desenhados para esse propósito, etc.;

  • Participar em cursos online - com a variedade de oferta de cursos ministrados pela Internet, dirigidos por universidades de renome mundial, certamente que não faltarão motivos para continuar atualizado e expandir o seu leque de conhecimentos e/ou competências profissionais.


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