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Apoios financeiros à inovação no empreendedorismo social

      
empreendedorismo social
Os empreendedores sociais dedicam-se à inovação social para construir um mundo mais sustentável  |  Fonte: iStock

O que é empreendedorismo social?


O empreendedorismo social difere da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável na medida em que os dois primeiros pressupõem a observância de um certo dever moral societário e contributivo das empresas para com a sociedade em que estão inseridas. As empresas levam a cabo estas medidas através da aplicação de políticas internas para ir de encontro aos princípios orientadores de acordo com as diretrizes governamentais e internacionais. Já o empreendedorismo social dá prioridade à inovação e impacto e não ao lucro - ainda que possam coexistir verificando-se que o lucro seja um meio para atingir um fim -, e sendo que a responsabilidade social não é neste sistema um dever corporativo e sim a matriz de onde parte este tipo de empreendedorismo


Este fenómeno global trata-se assim de uma atividade cujo objetivo basilar, em termos simples, consiste em iniciativas empreendedoras de cariz solidário com foco na criação de valor social, à semelhança de tantas instituições que conhecemos e que realizam esta atividade desde há muitos anos, mas sem que nunca lhes tivesse sido aplicada esta expressão modernizada. Porém, o empreendedorismo social não traduz necessária nem exclusivamente um sinónimo abrangente de solidariedade - embora esta seja sem dúvida a premissa fundamental. Para que se verifique a noção de empreendedorismo social, alguns fatores deverão estar contemplados de forma integrada, nomeadamente: a já mencionada criação de valor social, o retorno financeiro ou social, e foco nos problemas sociais. 


Se na Revolução Industrial a automatização dos processos de manufatura tomou conta do panorama oitocentista, a Indústria 4.0 conta com uma palavra de ordem além dos sistemas digitais e informativos (ou por causa deles) que faz disparar o interesse geral: o conceito de sustentabilidade nos negócios de Inovação & Desenvolvimento e aspetos subjacentes, entre os quais ocupa um lugar de destaque o empreendedorismo social.  Este tipo específico de empreendedorismo tem vindo de facto a atrair muitas atenções por parte de diversas instituições académicas e do setor económico e financeiro em particular, que contam hoje com um entendimento compreensivo do significado de valor e capital. 


Quem é o empreendedor social


O empreendedorismo social é por definição o ecossistema corporativo onde os empreendedores atuam como verdadeiros líderes e agentes de mudança na sua missão de transformar as realidades sociais pelos valores e princípios de uma democracia igualitária, identificando problemas e providenciando soluções para as causas de realidades desfavorecidas ao invés de apenas atenuar os sintomas destes mesmos problemas. A capacidade de iniciativa, inovação, gestão e mobilização de recursos e o sentido de oportunidade são portanto competências essenciais num empreendedor social, à semelhança de qualquer outro tipo de empreendedor


A finalidade do empreendedorismo social atualmente


Este termo ganha desta forma uma nova plataforma de notoriedade e um novo peso no amanhecer das realidades sociais que exigem soluções na atualidade do mundo contemporâneo, e portanto o investimento em propostas viáveis que ofereçam respostas para os problemas de hoje e de sempre encontram no presente momento, mais do que nunca, a melhor atenção de investidores para quem ao valor monetário se acresce uma visão de finalidade maior: a aplicação e circulação de capital com o objetivo transversal de criar valor socialcoletivo numa sociedade com oportunidades e direitos em pé de igualdade para todos, tendo a sua ênfase no papel do empreendedor enquanto agente social e na metodologia seguida.


Procura-se assim e acima de tudo ter uma pegada humanitária transformadora, que possa descrever o trajeto de um momento de viragem na História em que se redireccionou o olhar e a forma como pensamos o mundo para uma perspetiva de evolução coletiva e preservação de recursos, de forma a que a criação de valor em todas as suas formas seja observada a uma escala de potência num futuro próximo.


Apoios ao empreendedorismo social


Nos últimos 10 anos várias iniciativas de organizações e  instituições públicas e privadas têm vindo a desenvolver em parceria com várias IES portuguesas um vasto número de eventos com o objetivo de potenciar as realidades e possibilidades do empreendedorismo social, nomeadamente as iniciativas Jovens Empreendedores Sociais da Universidade Europeia, o Arrisca C da Universidade de Coimbra, ou as edições do Bootcamp em Empreendedorismo Social IES powered by INSEAD.


Atualmente, existem em Portugal dois tipos de apoios de montante elevado ao empreendedorismo social. 


Apoios financeiros governamentais


O programa "Mais Coeso Emprego" em articulação com o “Trabalhar Interior” é a resposta do Governo à questão da escassez de apoios para a área do empreendedorismo social em Portugal. Este programa conta à cabeça com um fundo de aproximadamente "125 milhões de euros para empresas que já estão instaladas no interior ou empresas que queiram trabalhar no interior", declarou a ministra da Coesão, Ana Abrunhosa, acrescentando ainda no passado mês de Fevereiro no âmbito do  primeiro Conselho de Ministros descentralizado de 2020, que "o apoio ao empreendedorismo social para as entidades da economia social, que pode ir até ao 1.900 euros por mês, dura três anos e se traduz em quase 68.500 euros.(...)Se estivermos a falar da constituição do próprio negócio ou de empresas até cinco anos ou projetos de empreendedorismo social o apoio é majorado”. Concluiu a ministra no comunicado sublinhando que existe terreno para o incentivo às empresas e empreendedorismo social em particular não se ficarem por estes valores.


Apoios financeiros institucionais 


Atualmente no setor privado o fundo de apoios ao empreendedorismo social em Portugal que mais se destaca a nível nacional, tanto pelo averbamento disponibilizado como pela consistência da iniciativa, é sem dúvida o PLUS+, assegurado através daCasa do Impacto pelo fundo filantrópico de empreendedorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Trata-se de um fundo de meio milhão de euros para investimento em projetos que estejam em fase de seed e pre-seed, ou seja, que estejam ainda numa etapa muito inicial. 


São portanto 500 mil euros que não requerem (nem impedem) uma relocalização geográfica para distribuir pelos candidatos enquanto apoio a ideias de negócio em fase de conceção inicial e que visem providenciar soluções a “desafios sociais e ambientais”. “O fundo filantrópico vem permitir aos empreendedores, na fase inicial do seu projeto, o acesso ao investimento necessário para darem o primeiro passo e testarem o seu modelo de negócio“, esclarece em comunicado o núcleo de empreendedorismo social da Misericórdia de Lisboa.


Com apenas um ano de existência, a Casa do Impacto já trouxe à luz do dia nada menos do que 34 startups até à presente data. Esta incubadora de startups tem, o objetivo primordial é o incentivo ao empreendedorismo social e dinamização de organizações sustentáveis. Para se candidatar ao PLUS+, deverá proceder ao preenchimento do formulário online não depois do dia 30 de abril - prazo em que expira o aceitação de candidaturas. A Casa do Impacto conta ainda com os programas de apoio a empreendedores sociais concurso Santa Casa Challenge - com foco na inovação digital social -, e o programa RISE for Impact - destinando-se este último à facilitação projetos em fase de validação de ideia. 


Outros apoios úteis


O projeto MIES – Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social é uma iniciativa do Centro de Formação e Investigação em Empreendedorismo Social e Instituto Padre António Vieira e conta com o apoio do COMPETE, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação EDP e IAPMEI. O objetivo deste projeto é contribuir para o crescimento e competitividade de um novo mercado de inovação e empreendedorismo social mediante atividades de pesquisa e mapeando as iniciativas inovadoras para prestar serviços de apoio no seu desenvolvimento. 


Também a Agência de Empreendedores Sociais (SEA), fundada em 2007 pode revelar-se um contacto muito útil. Esta empresa portuguesa visa enquanto “objecto social o desenvolvimento e a implementação de projetos de empreendedorismo social que contribuam para a sustentabilidade ao nível social, económico, cultural e ambiental, em prol do desenvolvimento local e integrado.


Exemplos de empreendedorismo social em Portugal 


Academia de Código


A Academia de Código é provavelmente o exemplo mais sólido e com maior sucesso no que toca ao empreendedorismo de impacto social em Portugal. Esta startup portuguesa autodefine-se por ser “código até ao osso” (em inglês rima e tudo: code to the bone), e foi a primeira a levar para casa o Título Impacto Social do Sul da Europa. Nasceu de investimentos de capital próprio e os seus criadores acreditam que a aprendizagem das linguagens de programação é, na Era da Informação e da Revolução Digital, a melhor resposta que se pode operar no combate às mentes capazes que estão no desemprego, assim como preparação das gerações futuras. O lema da casa? #AllForCodeAndCodeForAll! 


Cozinha com Alma


A Cozinha Com Alma surge em 2012 em pleno rescaldo da crise económica como iniciativa para ajudar as famílias que se viram subitamente em sérias dificuldades financeiras. Havia vergonha, pessoas com fome, e absoluta estupefação. Entretanto as coisas melhoraram cá pelo nosso canto da Europa, mas infelizmente essa é uma realidade que não deixou de existir. O que vale é que não só também não deixaram de existir como ainda prosperaram - e muito - projetos como a Cozinha Com Alma, onde por cada 3 refeições ao público é disponibilizada uma refeição para a bolsa social, além de a iniciativa capacitar e prestar apoio a famílias em dificuldades financeiras temporárias através de formações e outos tipos de apoio. Importa destacar que foram iniciativas de sucesso no âmbito do empreendedorismo social como a Cozinha Com Alma que tornaram Portugal uma referência internacional neste campo.


SPEAK


A SPEAK é uma startup lisboeta que pretende atacar o problema da exclusão sociocultural e promover a integração de imigrantes e refugiados nas cidades onde vivem agora. Trata-se fundamentalmente de um programa de visa aproximar as pessoas mediante a partilha de conhecimentos linguísticos e troca de experiências culturais. As turmas SPEAK têm pessoas oriundas de diferentes lugares do globo a aprenderem a conhecerem o “outro”, explorando interesses comuns e quebrando as frágeis linhas que sustentam os preconceitos, promovendo desta forma a cooperação entre as culturas. Numa vertente mais virada para o mercado de trabalho, existe também o SPEAK PRO. Esta sucursal do programa consiste numa ferramenta competitiva para dar resposta aos desafios atuais das realidades globais e interculturais do mundo laboral, que passam muito pela criação de empatia na troca e partilha de realidades distintas.


Como treinar a inteligência emocional


Uma parte muito importante de ser um bom líder na área do empreendedorismo social é a inteligência emocional. Em poucas palavras, podemos dizer que a inteligência emocional está intrinsecamente associada à capacidade de compreender, gerir e expressar corretamente os seus sentimentos, e ao mesmo tempo à forma como lida com as emoções das outras pessoas. Esta é por isso uma competência essencial para a formação, desenvolvimento e manutenção das relações pessoais e profissionais em todas as áreas.


A inteligência emocional pode ser amplamente trabalhada e desenvolvida ao longo do tempo, permitindo assim que cada um se torne num melhor profissional com verdadeiras capacidades de liderança. Para tornar este aperfeiçoamento pessoal e profissional possível e mais célere deixamos aqui algumas dicas:


  • APRENDA A LIDAR COM EMOÇÕES NEGATIVAS

Saber lidar com emoções negativas é fundamental para se conseguir manter o equilíbrio emocional. Não deixe que as emoções negativas mal geridas pautem as suas atitudes e influenciem os seus julgamentos. Saber gerir bem as emoções negativas permite-lhe um maior discernimento, maior clareza no seu raciocínio e decisões mais justas, para si a para aqueles que o rodeiam.


  • APRENDA A LIDAR COM A PRESSÃO

Todos nós temos que enfrentar situações de maior stresse, mas o que nos distingue é a forma como lidamos perante estas situações. Perante uma determinada situação podemos ser assertivos, procurando soluções práticas e equilibradas, ou reativos, deixando que as emoções tomem o controle da situação, fazendo depender delas todas as nossas decisões.


  • APRENDA A LIDAR COM A EMOÇÃO DOS OUTROS

Os indivíduos emocionalmente mais inteligentes têm a capacidade de identificar e de interpretar as pistas emocionais que os outros deixam no seu discurso e nas suas ações. São pessoas com uma forte perceção e capacidade de analisar expressões físicas, emocionais e verbais, e como tal comunicam de maneira mais efetiva ao recorrerem às suas conclusões.


  • APRENDA A EXPRESSAR EMOÇÕES DIFÍCEIS

Saber expressar emoções difíceis, não só de tristeza mas também de raiva, frustração ou de revolta é fundamental para conseguir estipular limites e não perder a razão.


  • APRENDA A LIDAR COM AS EMOÇÕES MAIS ÍNTIMAS

A inteligência emocional é útil para as mais diversas áreas da nossa vida, inclusive para os relacionamentos mais íntimos. Expressar cuidado, emoções amorosas e confiança também faz parte de um lado emocional saudável. Saber corresponder adequadamente este tipo de emoção sempre que outros a expressam também é um sinal de maturidade emocional.


Pro-tip:
Por último, vale ainda dizer que fazer voluntariado é uma excelente maneira de trabalhar ativamente a inteligência emocional, além de que sempre que estamos a dar estamos também a receber. Porque não começar já hoje a investigar a possibilidade?

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