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Discriminação de género - um problema tão real como atual

      
a diferença média à escala global do salário entre homens e mulheres ainda ronda os 19%
a diferença média à escala global do salário entre homens e mulheres ainda ronda os 19%  |  Fonte: iStock

É verdade que já se percorreu um longo caminho nos últimos 2500 anos quando na Grécia Antiga as mulheres não podiam ter sequer o estatuto de cidadãos, mas não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira. Passados mais de 2 milénios, é incrível que estejamos a estudar a possibilidade de colonizar outro planeta e a diferença média à escala global do salário entre homens e mulheres ainda ronde os 19%. Apesar de tudo, parece haver nesta situação infeliz um padrão indicador de alguma esperança: quanto mais evoluída é uma sociedade, menor aparenta ser o abismo da diferença salarial (ainda que hajam algumas exceções). O Luxemburgo e a Itália lideravam em 2015 a lista dos países da U.E. com menor diferença salarial, com uma discrepância de 5,5%. Já a Estónia, situava-se no extremo oposto, com um índice de 27%. Portugal ocupava um sólido meio da tabela, com um resultado de 16,7% - um número muito próximo dos 16,2% (média da diferença salarial europeia entre homens e mulheres em 2015) - mas que tem vindo a aumentar desde  2012 e se situa neste momento nos 22,1%, de acordo com o Relatório 2018/2019 da Organização Internacional do Trabalho*. Este recente declive dos últimos anos atira Portugal para a parte funda da tabela que contempla a lista dos 27 países mais ricos com maior discrepância salarial entre géneros, sendo superado apenas pela Estónia (25,7%), pelo Chile (23,7%), e pela Coreia do Sul (26,2%).  O problema persiste, não tem visto mudanças significativas nas últimas três décadas, é grave, e não deve ser ignorado. Com efeito, a discriminação de género continua a ser um reflexo das injustiças sociais muito sério e é preciso ser encarado como tal. 


Na indústria do cinema, Jennifer Lawrence, a atriz de topo galardoada pela Academia, não pôde evitar manifestar o seu desapontamento quando os ficheiros da Sony foram pirateados e veio a público a diferença salarial entre Lawrence e o elenco masculino de American Hustle, acrescentando que a partir desse momento deixaria de ser “agradável” na negociação dos salários. Hollywood, com todo o seu glamour e élan que nos chega através das salas de cinema por todo o mundo, é também um lugar-comum e prolífero nas ocorrências de outra forma de discriminação de género: o assédio sexual, nomeadamente no trabalho. Mais grave ainda é o quão longe este comportamento pode ir, sendo Harvey Weinstein, Kevin Spacey, ou Louis C.K. apenas alguns nomes do escândalo cuja lista conjunta de acusações continua a crescer. 


A discriminação de género assume também formas mais passivas, como por exemplo os conceitos cunhados pela editora de temas de género do New York Times, Jessica Bennet, de “manterrupting” e “broproprieting” - respetivamente, o ato de ser interrompida por um homem numa reunião do escritório, e o ato de ver a sua ideia ser usurpada à frente dos seus olhos por um colega de trabalho, enquanto a assistência considera indignos de nota estes atos de mau-carácter, fazendo-a sentir-se impotente. 

Para se defender deste tipo de episódios, Michelle Friedman aconselha algumas técnicas: no combate ao “manterrupting”, simplesmente não ceda às regras de conveniência - continue a falar não permitindo que o seu “interlocutor” lhe tire a palavra.  A estratégia de adotar um (ou uma) wing(wo)man para intervir no caso de ser necessário que o interruptor seja interrompido parece também ser eficaz. Outra dica é, literalmente, debruçar-se sobre a mesa, mantendo os cotovelos na superfície da mesma indicando assim que este é o seu lugar na reunião e está lá porque merece. Além disto, nunca se esqueça que caso algum ato isolado passe os limites do respeito, pode e deve contactar os Recursos-Humanos, e, caso seja necessário, pode e deve entrar em contato com as Associações, entidades e autoridades competentes. Uma paz-de-espírito extra é também considerar a hipótese de aprender uma arte-marcial, ou ainda andar prevenida com um taser ou gás-pimenta.


Neste sentido, se for uma mulher no início do século XXI, provavelmente já sabe que não deveria assim, mas o mundo às vezes pode ser um lugar ingrato e será melhor estar preparada para correr com os lobos.


*A tradução do relatório para língua portuguesa será assegurada pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) em parceria com a OIT-Lisboa.


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