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Universia entrevistou o Professor Pedro Vilarinho da COTEC

      

O Programa COHiTEC é uma acção de formação destinada a avaliar o potencial comercial de tecnologias desenvolvidas em instituições de I&D nacionais.

Participam no COHiTEC investigadores, proponentes das tecnologias, e estudantes de gestão e executivos, que apoiam o processo de comercialização. Durante 4 meses, estas equipas multidisciplinares geram ideias de produto baseadas nas tecnologias participantes e preparam um projecto de negócio para uma de essas ideias. Na sessão de encerramento do COHiTEC, as equipas apresentam os projectos de negócio resultantes do processo levado a cabo nos quatro meses de formação.

O Programa COHiTEC é uma iniciativa da COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação, que conta com o apoio da FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e é realizado em parceria com o Centro HiTEC da North Carolina State University, a Brown University, a Porto Business School e o INDEG-IUL ISCTE Executive Education.


Entrevista ao Professor Pedro Vilarinho, Director da área de Valorização de Conhecimento da COTEC:

Dos 17 projectos que concluíram o programa COHiTEC da COTEC, qual ou quais destacaria, e porquê?
A opinião generalizada da equipa que tem acompanhado o Programa COHiTEC ao longo dos anos é a de que a edição de 2013 foi a mais equilibrada em termos da qualidade e potencial dos projectos que participaram, por isso prefiro não destacar nenhum dos projectos em particular.

Para terem chegado a esta fase final, este projetos têm todos eles um grande potencial. Acredita que todos eles vão acabar por conseguir atingir o sucesso que se espera de cada um deles?
O Programa COHiTEC é uma acção de formação que assume como ponto de partida um conjunto de tecnologias propostas pelos investigadores / tecnólogos  de cada uma das equipas participantes e que, ao longo de cerca de 4 meses, ajuda essas equipas a identificar um produto ou serviço que poderá potenciar a criação de uma empresa de base tecnológica e elevado potencial de crescimento. Às equipas é fornecido um conjunto de ferramentas e mentoring que lhes permitem compreender melhor se as tecnologias que propuseram têm características únicas que lhes permitam satisfazer necessidades de mercado que ou ainda não estão satisfeitas, ou que podem ser satisfeitas de forma mais adequada por produtos gerados por essas tecnologias. Terminado o Programa COHiTEC, cada uma das equipas terá que fazer um exercício de reflexão interna para perceber se a informação que foram recolhendo ao longo do Programa é suficiente para iniciarem o percurso que os poderá levar até ao mercado. Todos gostaríamos que estes projectos conseguissem obter o sucesso que merecem, mas caberá aos promotores decidir o destino de cada um dos projectos. Para nós seria um resultado muito bom conseguir levar dois ou três destes projectos até ao mercado.

Ao longo de 4 meses os participantes avaliaram os seus projetos. Há algum caso em que o projeto tenha acabado por dar uma volta de 180º e que no final se tenha distanciado da ideia original a  que se propunha?
Como já referi, os projectos quando entram no COHiTEC assentam em tecnologias com graus de desenvolvimento diferenciados e, em alguns casos, os promotores até têm ideias de potenciais aplicações das tecnologias, mas, salvo raras excepções, nunca validaram essas potenciais aplicações junto do mercado. Uma das características distintivas do Programa COHiTEC é a de forçar as equipas a validar os conceitos de produtos que vão gerando junto do mercado e, invariavelmente, há surpresas que obrigam a redireccionar os projectos, pelo que, na generalidade dos casos, o resultado final afasta-se significativamente da ideia original.

Em que medida é que Portugal precisa de mais iniciativas como esta da COTEC?
Na minha opinião, o Programa COHiTEC cobre uma lacuna muito importante que é a de ajudar os promotores, numa fase muito embrionária do desenvolvimento da ideia de negócio, a perceber o que espera um investidor quando faz a due dilligence do projecto. Em Portugal há muitas pessoas que têm excelentes ideias de negócio, mas que depois não as conseguem comunicar de forma adequada a potenciais investidores e, nesse sentido, seria bom que existissem muito mais iniciativas como o Programa COHiTEC. É evidente que este Programa é difícil de replicar, porque não só coloca a fasquia muito alta (porque foca-se exclusivamente em projectos de base tecnológica com elevado potencial de crescimento), como utiliza recursos com um custo de oportunidade muito elevado, mas seria desejável que aparecessem muitas iniciativas, focadas noutros segmentos de empreendedorismo, com objectivos semelhantes aos do COHiTEC.

Na sua opinião, os jovens portugueses são empreendedores? O que é que falta para que o país tenha mais empreendedores?
Num estudo de referência da área do empreendedorismo (Global Entrepreneurship Monitor), Portugal aparece como um dos países com maior taxa global de actividade empreendedora, de entre os países mais desenvolvidos. Apesar deste estudo utilizar um conceito muito alargado de empreendedorismo, incluindo, por exemplo o empreendedorismo resultante da falta de outra alternativas para sobrevivência (o que resulta, por exemplo, que a generalidade dos países do continente africano apareçam com as maiores taxas globais de actividade empreendedora), não deixa de ser significativa a posição ocupada por Portugal. Deste estudo, pode concluir-se que os jovens portugueses têm potencial para ser tão empreendedores como jovens de países com um nível de desenvolvimento semelhante ao nosso. Na minha opinião, o que falta são esquemas/programas de apoio que os ajudem, numa fase muito embrionária da ideia de negócio, a desenvolver essa ideia, antes de partirem para a procura de financiamento.


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