Por que escolher as escolas profissionais no ensino secundário?

Muitos alunos escolhem seguir pela via do ensino secundário através das escolas profissionais em lugar do ensino científico humanístico. Esta opção traz alguns benefícios se for ajustada ao plano futuro do estudante no que respeita à inserção no mercado de trabalho. Contudo, é preciso estar consciente de que é impossível agradar a gregos e troianos e que qualquer escolha tem por definição os seus prós e contras.

Um dos traços fundamentais no ser humano que faz a diferença em todos os aspetos é a sua capacidade de adaptação.
Um dos traços fundamentais no ser humano que faz a diferença em todos os aspetos é a sua capacidade de adaptação.  |  Fonte: iStock


Houve, de facto, e em tempos não muito longínquos, um estigma associado ao ensino nas escolas profissionais do qual ainda hoje se podem fazer sentir alguns ecos. Por outro lado, se há uma coisa que é preciso levar em consideração no momento de escolher um percurso de ensino, é que um dos traços fundamentais no ser humano que faz a diferença em todos os aspetos é a sua capacidade de adaptação. Às vezes, não importa muito se se vem do ensino profissional ou do ensino regular, importa sim o que se faz com isso. 

 

Escolas profissionais - Estatísticas:

 

De acordo com o último Relatório da Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que abrange os anos letivos 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018, apenas cerca de 60% dos alunos matriculados no ensino profissional conclui o curso passados 3 anos. Destes 60%, claramente o grupo que evidencia a taxa de sucesso mais elevada na conclusão dos cursos profissionais são os alunos que chegam a esta modalidade de ensino através do ensino básico regular (70%), seguidos dos alunos que ingressam através de Cursos CEF (35%), Cursos vocacionais (41%), e outros percursos curriculares alternativos (22%).

  

Escolas profissionais - Perspetivas de carreira

 

Escolher seguir a via do ensino pelas escolas profissionais terá certamente um impacto no delineamento do seu futuro: se por um lado é verdade que a inserção no mercado de trabalho é mais imediata, também é verdade que a longo prazo, por norma, lhe deixa menos margem para possibilidades de evolução de carreira. Isto é, não é de todo incomum um mecânico acabado de sair da escola profissional receber um salário superior (800€) ao de um engenheiro recém-formado (700€). 

Porém, em termos meramente estatísticos, as perspetivas de evolução de carreira e possibilidades de aumento gradual e regular do salário a longo-prazo estão a favor do engenheiro. 

 

Escolas profissionais - Ingressar no ensino superior

  

Foi no passado dia 15 de Agosto que o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, assegurou que o Governo está "em diálogo com as instituições e após discussão com o conselho nacional do ensino superior", se encontra a “conceber uma 3ª via” (para além do concurso normal de acesso ao ensino superior) para os alunos provenientes do ensino profissional. Recorde-se que desde março que esta medida tem vindo a ser debatida, uma vez que uma boa parte da matéria  que sai nos exames nacionais não é contemplada durante o ensino nas escolas profissionais. O que acontece é que os alunos do profissional vêem-se assim obrigados a acrescerem, através dos seus próprios meios, 3 anos de formação complementar a disciplinas cuja matéria não está prevista no seu programa formativo.

 

Assim, com a implementação desta nova medida, pretende-se que à semelhança dos alunos do ensino científico humanístico que realizam exames para os quais são preparados, também os alunos do ensino profissional possam realizar provas de acesso ao ensino superior com base na aprendizagem e trabalho desenvolvidos. Desta forma, os alunos do ensino profissional passarão a ser avaliados através do cumprimento de critérios definidos pelas instituições nas quais pretendem estudar para ingressarem com sucesso. Em relação ao número de vagas para os alunos do ensino profissional, o mesmo ainda não se encontra fixado, mas é esperado que a taxa seja entre 10% e 15% do número total de vagas do concurso nacional de acesso. O Jornal Público adianta ainda que é expectável que esta medida seja aprovada já no próximo ano letivo

 

Coisas importantes: